Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXVIII - ACTOS 16:13-15 (Cont.)

Acts dispensationally considered

 

O BATISMO DE LÍDIA E DE SUA CASA

            Muitos dividendos se têm procurado tirar do facto de Lídia e de sua casa terem sido baptizados agora. Este acontecimento não prova que o batismo na água se encontra em vigor sob a administração Paulina? – perguntam-nos. Não, não prova, pois apesar de Paulo já se encontrar a proclamar “o Evangelho da graça de Deus” a nação de Israel ainda não tinha sido definitivamente posta de parte (ver João 1:31 e cf. Atos 28:28) prevalecendo, em face disso, muito ainda do velho programa. Paulo circuncidara recentemente Timóteo; tinha acabado de ser chamado à Macedónia por uma visão; ao chegar ali teve o cuidado de se dirigir “primeiro ao Judeu”; expulsaria a seguir um demónio de uma donzela, e como resultado disso, ao ser aprisionado, as portas da prisão abrir-se-iam e as suas cadeias soltar-se-iam por meio de um milagre. Foi sob esta economia que ele foi salvo e foi dela que ele emergiu gradualmente, porém não há nenhuma lógica na afirmação de que a circuncisão e os sinais miraculosos passaram enquanto se mantém a prática do batismo na água.

             E esta passagem suporta ainda muito menos a doutrina defendida por grande número de crentes, a saber, a do batismo familiar. Um escritor afamado argumenta que a passagem diz que: 1) ela creu, mas 2) não diz que eles creram, 3) implicando com isso que eles foram baptizados porque ela creu. Este escritor diz: “Nada é dito que eles tenham crido, sendo este caso um dos que nos concede uma forte prova aparente da realidade do batismo familiar ou de crianças.”

            Porém isto é mais do que “ler entre linhas”, e tal “prova” é especulativa e aparente em demasia para passar no teste Bereano, pois nas Escrituras o batismo na água está sempre associado ao arrependimento e à fé (Mat. 3:5,6; Mar. 1:4; 16:16; Atos 2:38, etc.). O teólogo Reformado, Dr. Albertus Pieters tornou bem claro que a doutrina do batismo infantil assenta em nada mais do que “provas” especulativas, quando ele escreveu em Why We Baptize Infants (A Razão de Baptizarmos Crianças): “Se um ser inteligente de Marte nos visitasse aqui na terra, e lhe colocássemos a Bíblia nas mãos ... ele não encontraria nela o batismo de crianças, pois lá não existe nada disso; a Bíblia não suporta nada disso”, e de novo: “A Bíblia está totalmente silenciosa quanto ao batismo infantil, quer pró quer contra. Nós aceitamo-lo. Não professamos obter a sua prática das suas páginas. Professamos justificar o batismo infantil das suas páginas, o que é uma coisa completamente diferente.”

          Quando um notável expoente da teologia Reformada admite que o batismo infantil não se encontra na Bíblia – que não existe lá nada disso, então podemos ter a certeza de que é o nosso adversário que tem feito com que este ensino tome o lugar que tem, entre as doutrinas cardeais dalgumas das nossas maiores denominações. É ele que leva os homens a justificarem práticas religiosas que não são ensinadas nas Escrituras; “ensinando doutrinas que são mandamentos de homens” (Mar. 7:7).

          A passagem em consideração não nos dá qualquer indicação de que Lídia fosse sequer casada, muito menos que tivesse filhos. A casa aludida pode muito bem ter sido constituída de servos ou cooperadores, incluindo talvez Evódia, Síntique e outras de “essas mulheres” referidas em Fil. 4:2,3. O versículo 40 fala de “os irmãos”, e isto pode referir-se a Timóteo e a Lucas, que permaneceram evidentemente em Filipos quando Paulo e Silas continuaram para Tessalónica. Decerto que a casa de Lídia, como a de Cornélio, era composta de indivíduos cujos corações podiam ser purificados “pela fé” (Atos 15:9).

          Os que defendem a imersão como o modo Bíblico do batismo também encontram aqui provas especulativas” para o seu ponto de vista, a saber, no facto de Paulo ter encontrado Lídia à beira do rio onde, presumidamente, haveria suficiente água para a imergir. Porém não existe nenhuma indicação de que Lídia tivesse sido batizada onde Paulo a encontrou pela primeira vez. Na realidade, a falta de qualquer menção de que a sua casa se situasse à beira do rio e a declaração de que a sua casa foi batizada, parece indicar que se passou algum tempo entre ambas. Mas mesmo que tivessem estado todos presentes na primeira reunião – e por alguma razão foram omitidos – isso não constituiria qualquer prova de que tivessem sido batizados, muito menos imersos, no rio.

          Rejeitemos todas as “provas especulativas” e firmemo-nos na Palavra escrita. Encontraremos ali evidências inegáveis de que o batismo na água significa purificação, e não sepultura ( Act. 22:16; Heb. 9:10; etc. ...).

          Tendo sido batizada, Lídia convidou Paulo e o seu grupo para ficarem em sua casa, que deveria ser grande para acomodar mais quatro pessoas. A sinceridade do seu convite foi evidente, pois, procurando vencer a sua relutância natural, desafiou-os: “Se haveis julgado que eu seja fiel (isto é, que haja actuado em boa fé) ao Senhor, entrai em minha casa, e ficai ali. E”, diz Lucas, ela “constrangeu-nos” (ver. 15). Logo que foi salva, Lídia começou a ajudar os ministros do Evangelho, fornecendo-lhes uma casa e quartel-general para o seu trabalho. E ela foi persistente e fiel na sua ajuda (ver. 40).

          A evangelização da Europa principiou de forma muito modesta e despida de ostentação! Por detrás dela não houve nenhuma organização, nenhuma campanha para financiar o movimento, nenhum anúncio de reuniões públicas; não houve mesmo sequer uma reunião pública, onde se pudesse causar forte impressão a toda a comunidade. Paulo e os seus companheiros falaram simplesmente a algumas mulheres que se encontravam reunidas para orar; o Senhor abriu o coração de uma delas e começou uma obra cuja magnitude nunca poderá ser medida. Nós próprios somos algum do fruto dessa reunião humilde à beira de um rio há mil e novecentos anos.

 

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