Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXVIII - ACTOS 16:13-15

Acts dispensationally considered

 

PAULO EM FILIPOS

OS PRIMEIROS CONVERTIDOS NA EUROPA

 

            “E no dia de sábado saímos fora das portas, para a beira do rio, onde julgávamos ter lugar para oração; e, assentando-nos, falámos às mulheres que ali se ajuntaram.

            “ E uma certa mulher chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo lhe dizia.

            “E depois que foi baptizada, ela e a sua casa, nos rogou, dizendo: Se haveis julgado que eu seja fiel ao Senhor, entrai em minha casa, e ficai ali. E nos constrangeu a isso.

- Atos 16:13-15.

 

            A visão da chamada de ajuda à Macedónia evidentemente não indicava uma atitude existente para com o Evangelho, mas uma necessidade e uma oportunidade. Em vez de encontrarem milhares avidamente à espera da mensagem da graça, o apóstolo e o seu grupo (Paulo, Silas, Timóteo e Lucas) passaram vários dias em Filipos (ver. 12) e depois tiveram que efectuar os seus próprios contactos dirigindo-se para fora da cidade para a margem do rio “onde julgávamos ter lugar para oração”[1] (Cf. Atos 21:5).

            Parece que em Filipos não havia nenhuma sinagoga, especialmente pelo facto de lermos que em Tessalónica havia uma (17:1) e que sempre que havia uma sinagoga em determinado lugar era seu “costume...[ir] ter com eles” (17:2).

            Em qualquer cidade como Filipos, onde não haviam Judeus suficientes para manterem uma sinagoga, os poucos que ali residiam escolhiam um lugar fora da cidade perto de um rio ou riacho, para efectuarem as suas devoções – fora da cidade por amor ao retiro, e junto de água fluente a fim de poderem realizar os batismos, ou lavagens, que desempenhavam um papel tão proeminente na sua adoração.

            Certamente que a nação de Israel não estava a ser privada de abundante testemunho sobre a Pessoa e clamores de Cristo, pois aqui, onde não havia sequer uma sinagoga, o apóstolo e os seus cooperadores ainda fizeram questão de lidar com “o Judeu primeiro”, procurando fora da cidade aqueles que ao sábado se podiam recolher junto ao rio para orar. Neste caso o grupo era constituído, na sua maioria, se não totalmente, de mulheres – sempre aptas a serem mais devotas e fiéis do que os homens. E entre essas mulheres encontrava-se uma chamada Lídia, comerciante de Tiatira, que comercializava púrpura, o vestuário dos ricos e dos social e politicamente proeminentes (ver Lucas 16:19).[2] Pelo nome, não parece que ela fosse judia, mas veio obviamente ao conhecimento do temor do Deus de Israel, tendo provavelmente sido uma prosélita do Judaísmo.

            De qualquer forma lemos que se tratava de alguém a quem o Senhor “abriu o coração” para receber a verdade (ver. 14). Há aqui uma importante lição doutrinal para nós, pois a afirmação de que o Senhor abriu o coração de Lídia implica que este, por natureza, se encontrava fechado e assim permaneceria. É sempre esta a condição do homem fora da graça Divina. Mesmo os esforços dos homens mais pios para iluminar os corações irregenerados serão vãos e ineficazes. Só Deus pode conseguir tal coisa (II Cor. 4:6) e uma vez tendo começado a boa obra, completá-la-à (Fil: 1.6).

            Não constitui surpresa alguma o facto de Deus, na Sua presciência de todas as coisas, ter escolhido abrir o coração desta mulher pois, apesar dela se encontrar longe do lar e comprometida com negócios, foi aqui encontrada a procurar a comunhão daqueles a quem Deus tinha dito, “Lembrai-vos do dia de Sábado, para o santificardes”, e a buscar esse Deus em oração. E agora, por meio da pregação de Paulo, Lídia encontrou Deus e o verdadeiro descanso sabático em Cristo (ver Heb. 1:3; 4:9,10).

 


[1] Alguns escolásticos crêem que esta tradução se encontra corrompida por se basear na corrução dos manuscritos donde foi traduzida. A tradução correta segundo outros manuscritos e apresentam outras versões é a seguinte: “ONDE ERA HÁBITO SE ORAR

[2] Os escritos antigos têm muito a dizer acerca desta indústria em Tiatira e ali foram mesmo encontradas entre as ruínas, inscrições alusivas a “Associações Tintureiras”.

 

 

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