Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXVIII - ACTOS 16:9-12 (Cont.)

Acts dispensationally considered

 

PARTIDA PARA A MACEDÓNIA

            “Logo” depois da visão nós vemos Paulo e os seus companheiros a “procurarem” partir para a Macedónia, com a intenção evidentemente de adquirir no porto uma passagem no primeiro navio que navegasse para lá.

             Como já vimos, em Troas o grupo foi adicionado com a pessoa de Lucas, o autor dos Atos. Isto torna-se evidente não só apenas na alteração gramatical do “eles” para o “nós” no versículo 10, mas também no facto de aqui o estilo histórico simples de Lucas dar lugar ao estilo de escrita autóptico, isto é, de observação pessoal. A chegada de Lucas nesta altura pode-se explicar pela doença do apóstolo enquanto entre os Gálatas. Mais tarde Paulo denominou-o de “o médico amado” (Col. 4:14) referindo-se não só meramente ao facto dele ser médico, mas à afeição com que ele era tido como médico – provavelmente ainda mais por Paulo – pelos benefícios recebidos. Esta é uma outra indicação da mudança dispensacional que ocorreu desde Pentecostes (ver Atos 5:12-16 e cf. Rom. 8:22-23).

          Aqui Lucas acompanha Paulo à Macedónia e Filipos, parecendo ausentar-se de novo. Contudo quando Paulo regressa mais tarde à Macedónia notamos uma vez mais a presença de Lucas ao detetar-se a mesma mudança de pronome de “eles” para “nós”, parecendo ter ficado, a partir de então, com Paulo até ao fim do registo dos Atos.

          A presença de Lucas provou ser uma grande ajuda para o apóstolo nas suas jornadas quando a dispensação das demonstrações miraculosas passou. Uma das últimas palavras que ouvimos do apóstolo na prisão em Roma é “Só Lucas está comigo” II Tim. 4:11).

          É evidente que o grupo conseguiu a passagem para a Macedónia sem atraso algum, pois a palavra “logo” do versículo 10 é seguida no versículo 11 pelas palavras: “E navegando de Troas”.

          O vento também era favorável, pois Lucas diz: “E navegando de Troas, fomos correndo em caminho direito para a Samotrácia, e no dia seguinte para Nápoles (o porto de Filipos)” (ver. 11).

          O pensamento aqui é que o vento lhes foi favorável. Dirigiram-se assim velozmente para o seu destino sem que fosse necessário “bordejar”, ou viajar em zigue-zague, como seria necessário caso o vento lhes fosse contrário. A viagem deve ter sido extraordinariamente rápida, pois fizeram-na em dois dias, enquanto que posteriormente percorreram a mesma distância em cinco dias (Atos 20:6).

          Deve ter sido encorajador para o apóstolo ver as coisas sucederem-se sem dificuldades por algum tempo. Na Galácia ele padecera de uma enfermidade, depois o Espírito impedira-o duas vezes de ministrar em determinadas áreas. O efeito de tais contrariedades deve ter sido deprimente para a natureza do apóstolo Paulo. Porém, ao chegar a Troas tudo foi diferente. O médico amado juntava-se agora ao grupo, uma visão especial chamava-o para novas oportunidades, um navio estava pronto para o transportar e até o vento era favorável.

          Do porto em Nápoles, Paulo e o seu grupo dirigiram-se para Filipos, “a primeira (ou, principal) cidade desta parte da Macedónia, e uma colónia” (ver. 12). Tem havido algum criticismo a Lucas devido a uma sua “incorrecção” aqui. Diz-se que Filipos não era a principal cidade da Macedónia. Mas não existe nenhuma incorreção, excepto possivelmente em algumas versões. A palavra “principal” nessas versões, é traduzida por “primeira” na versão de Almeida, e Filipos foi a primeira cidade da Macedónia a que se dirigiram depois de terem deixado o porto de Nápoles. Contudo, o contexto parece concordar melhor com a tradução “principal”, só que se deverá notar que o artigo definido não é encontrado no original, e que de Filipos, se for correctamente analisado, apenas é dito ser a principal cidade “desta parte da Macedónia”.

          Certamente que era uma cidade importante, tendo recebido o nome do imperador Filipe, pai de Alexandre o Grande. Como colónia Romana os seus cidadãos desfrutavam de muitos dos privilégios concedidos aos cidadãos de Roma. Liberta da autoridade do governador provincial, eles dirigiam o seu próprio governo local. Eles não estavam sujeitos a serem açoitados e podiam apelar dos tribunais para o Imperador.

          Agora, depois de ter sido impedido de ministrar num lugar e noutro, e ao ter sido chamado numa visão à Macedónia, Paulo, juntamente com os seus cooperadores, pisou pela primeira vez solo Europeu, onde seria usado por Deus como nunca. Nós[1] que descendemos dos Europeus devemos agradecer humildemente a Deus por esta manifestação da Sua graça soberana.

          A chamada sobrenatural do apóstolo à Europa não foi senão uma sequência dos tratos prévios de Deus com ele. Em Jerusalém, após a sua conversão o Senhor apareceu-lhe com o mandamento: “Vai, porque hei-de enviar-te aos Gentios de LONGE” (Atos 22:21). Mais tarde, quando ministrava em Antioquia, o Espírito disse: “Apartai-Me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” Atos 13:2). Foi assim que Paulo começou as suas jornadas apostólicas. Agora, a fim de que não passe demasiado tempo na Ásia Menor, é chamado à Macedónia. Antes de ter concluído a obra ali é levado como “prisioneiro do Senhor” para Roma, a fim de efetuar a maior obra de todas.

 

 

[1] Americanos [Nota do tradutor].

Sermões e Estudos

Marcos Roque 24MAR19
O todo é maior que a soma das partes!

Sermão proferido por Marcos Roque em 24 de março de 2019

David Gomes 17MAR19
Uma vida sem stress

Sermão proferido por David Gomes em 17 de março de 2019

Miguel Barreira 10MAR2019
Inferno

Sermão proferido por Miguel Barreira em 10 de março de 2019

Estudo Bíblico
Estudo Bíblico

Sobre a Epístola aos Colossenses 2:13,14 em 20 de março de 2019

ver mais
 
  • Avenida da Liberdade 356 
    356 2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • 966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • QUINTA DO CONDE
    Clique aqui para ver horário