Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXII - ACTOS 13:24-37
A PROCLAMAÇÃO DA SOBERANA GRAÇA DE DEUS
“Tendo, primeiramente, João, antes da vinda dele, pregado, a todo o povo de Israel, o baptismo do arrependimento.
“Mas João, quando completava a carreira, disse: Quem pensais vós que eu sou? Eu não sou o Cristo; mas eis que, após mim, vem aquele a quem não sou digno de desatar as alparcas dos pés.
“Varões irmãos, filhos da geração de Abraão, e os que, de entre vós, temeis a Deus, a vós vos é anunciada a palavra desta salvação.
“Por não terem conhecido este, os que habitavam em Jerusalém, e os seus príncipes, condenaram-nos, cumprindo assim as vozes dos profetas que se lêem todos os sábados.
“E, embora não achassem alguma causa de morte, pediram a Pilatos que ele fosse morto.
“E, havendo eles cumprindo todas as coisas que dele estavam escritas, tirando-O do madeiro, O puseram na sepultura.
“Mas Deus O ressuscitou dos mortos.
“E Ele, por muitos dias, foi visto pelos que subiram com ele da Galileia a Jerusalém, e são suas testemunhas para com o povo.
“E nós vos anunciámos que a promessa, que foi feita aos pais, Deus a cumpriu a nós, seus filhos, ressuscitando Jesus.
“Como, também, está escrito no Salmo segundo: Meu filho és Tu, hoje Te gerei.
“E que O ressuscitaria dos mortos, para nunca mais tornar à corrupção, disse-o assim: As santas e fiéis bençãos de David vos darei.
“Pelo que, também, em outro Salmo diz: Não permitirás que o Teu santo veja a corrupção.
“Porque, na verdade, tendo David, no seu tempo, servido conforme a vontade de Deus, dormiu, e foi posto junto de seus pais e viu a corrupção.
“Mas aquele a quem Deus ressuscitou, nenhuma corrupção viu.” - Actos 13:24-37.
O MINISTÉRIO DE JOÃO BAPTISTA DISCUTIDO
Em relação a Cristo o apóstolo recorda primeiramente o facto de João Baptista, o Seu percursor, ter pregado o baptismo do arrependimento a todo o povo de Israel. A fraseologia aqui é importante. Muitos pregadores que defendem o baptismo na água para hoje, dizem: “Nós não pregamos o baptismo”. Como Paulo, pregamos Cristo, e Este Crucificado. Os tais deveriam lembrar-se pelo menos que João “o Baptista” pregava o baptismo – “o baptismo do arrependimento para remissão dos pecados”. Este facto é claramente declarado, não somente aqui no sermão de Paulo, mas também em passagens tais como as seguintes:
“Apareceu João ... pregando o baptismo do arrependimento, para remissão dos pecados” (Marcos 1:4).
“E percorreu ... pregando o baptismo do arrependimento, para o perdão dos pecados” (Lucas 3:3).
“ ... depois do baptismo que João pregou” (Actos 10:37).
Os ouvintes de João não vinham ao seu baptismo com o sentimento de alegria e gozo que possuem os corações de muitos que são baptizados hoje em dia, supondo que estão a simbolizar para o mundo o facto de terem sido sepultados e ressuscitados com Cristo. Pelo contrário, vinham pálidos, abalados e comovidos confessar os seus pecados e pedir purificação simbolizada pelo baptismo. Eles vinham a um “baptismo de ARREPENDIMENTO para a REMISSÃO DE PECADOS” (Marcos 1:4) e “eram baptizados por ele no Jordão, CONFESSANDO OS SEUS PECADOS” (Mat. 3:6).1
Mas o apóstolo, na sua mensagem aqui, enfatiza o facto do ministério de João Baptista não ter sido senão uma introdução a Cristo. João, ainda que imensamente popular durante algum tempo, não era o Cristo, como alguns suspeitavam que fosse. Ele meramente chamou o povo de Israel ao arrependimento para que se aprontassem para receberem Cristo.
1 Este facto não foi mudado em Pentecostes pois, cheio do Espírito Santo, Pedro também exigiu aos seus ouvintes: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja baptizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (Actos 2:38). Os que praticam o baptismo na água na base da chamada “grande comissão”, defendendo que a Igreja de hoje principiou em Pentecostes, deviam praticar este baptismo, o baptismo de João Baptista, da “grande comissão” e de Pentecostes (Marcos 1:4; 16:16; Actos 2:38). Contudo o facto é que a Igreja de hoje não principiou em Pentecostes sob a “grande comissão”. Principiou com Paulo, sob cuja administração o baptismo da água passou do cenário.



