Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XX - ACTOS 12:12-16
A ORAÇÃO RESPONDIDA
“E, considerando ele nisto, foi a casa de Maria, mãe de João, que tinha por sobrenome Marcos, onde muitos estavam reunidos e oravam.
“E, batendo à porta do pátio, uma menina chamada Rode saiu a escutar.
“E, conhecendo a voz de Pedro, de gozo não abriu a porta, mas correndo para dentro, anunciou que Pedro estava à porta.
“E disseram-lhe: Estás fora de ti. Mas ela afirmava que assim era. E diziam: É o seu anjo.
“Mas Pedro perseverava em bater, e, quando abriram, viram-no, e se espantaram” - Actos 12:12-16.
A ORAÇÃO E A SOBERANIA DE DEUS
No caso de Pedro e dos seus amigos que oram temos um bom exemplo do que a oração visava ser e cumprir.
Os teólogos que se têm radicalizado em extremos sobre a doutrina da absoluta soberania de Deus têm frequentemente visto os seus argumentos usados pelos incrédulos como um meio de ridicularizar a prática da oração.
“Se Deus tem tudo planeado de antemão” dizem eles, “e opera todas as coisas segundo o conselho da Sua própria vontade, quão louco é os cristãos orarem! Será que pensam que podem mudar a mente de Deus, cuja vontade e planos são fixos ou imutáveis?”
Decerto que os que assim argumentam não compreendem que Deus instituiu a prática da oração primeiro de tudo, não como um meio de se obter coisas d’Ele, mas antes para que deste modo possamos ser levados a uma comunhão mais íntima com Ele. Além disso, os Seus planos foram feitos tendo em vista os interesses do Seu povo. Assim lemos não somente que Deus opera todas as coisas segundo o conselho da Sua própria vontade (Ef. 1:11), mas também que Ele opera todas as coisas juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seu decreto (Rom. 8:28).
Deus é soberano, é certo, e na realidade opera todas as coisas segundo o conselho da Sua própria vontade, mas não deve ser deduzido daqui que os Seus actos são arbitrários ou despóticos e desarrazoados, ou que o amor e a misericórdia não têm neles lugar. Deus não nos manipula como máquinas. Ele ama-nos e deseja o nosso amor em troca. O nosso amor e fé, as nossas orações, e acções de graça, tudo tem um lugar no Seu grande plano. Mesmo que Ele, de acordo com a Sua presciência, já tenha planeado conceder-nos alguma libertação ou vitória específicas, nós não temos conhecimento disso, e Ele quer que venhamos a Ele em oração de modo a que Ele possa conceder aquela libertação ou vitória como resposta à nossa oração.1
A libertação de Pedro é um caso terminante. Como vimos, o Senhor já tinha predito que Pedro viveria até à velhice (João 21:18). Assim, o plano de Herodes em matá-lo nesta altura não podia ser bem sucedido. Talvez tenha sido por isto que Pedro dormia tão profundamente na noite antes de ser executado.
Tem sido dito que se os amigos de Pedro que oraram por ele tivessem crido em João 21:18 estariam todos em casa e descansados em vez de orarem pela libertação dele. Contudo não devemos assumir daqui que eles tivessem conhecimento da predição do Senhor, ou que eles se lembravam dela ou a compreendiam se alguma vez tivessem ouvido falar dela. Decerto que não existe nenhuma evidência no registo da história, de que eles tinham algum conhecimento desta promessa. Qualquer que possa ser o caso, Deus respondeu à oração deles tão bem, como cumpriu o Seu próprio propósito.
1 Na realidade, mesmo quando, para Sua glória e para nosso bem, Ele já tem planeado não conceder-nos os nossos pedidos, a oração ainda nos leva a uma maior intimidade com Ele, e não descansamos na certeza de que Ele fará o que é mais sábio e melhor para nós. Assim Deus permitiu que Herodes matasse Tiago à espada enquanto enviou um anjo Seu para Libertar Pedro. A fé aprovaria ambas as acções da parte de Deus, e confiaria nEle ao Ele operar os Seus desígnios graciosos.



