Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XX - ACTOS 12:1-11

PERSEGUIÇÃO REACENDIDA EM JERUSALÉM

HERODES PERSEGUE OS SEGUIDORES DO MESSIAS

     “E por aquele mesmo tempo o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da igreja, para os maltratar.

     “E matou à espada Tiago, irmão de João.

     “E, vendo que isso agradara aos Judeus, continuou, mandando prender também a Pedro. E eram os dias dos asmos.

     “E, havendo-o prendido o encerrou na prisão, entregando-o a quatro quaternos de soldados, para que o guardassem, querendo apresentá-lo ao povo depois da páscoa.

     “Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a igreja fazia continua oração por ele a Deus.

     “E quando Herodes estava para o fazer nessa mesma noite comparecer, estava Pedro dormindo entre dois soldados, ligado com duas cadeias, e os guardas diante da porta guardavam a prisão.

     “E eis que sobreveio o anjo do Senhor, e resplandeceu uma luz na prisão; e, tocando a Pedro na ilharga, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa. E caíram-lhe das mãos as cadeias.

     “E disse-lhe o anjo: Cinge-te, e ata as tuas alparcas: E ele o fez assim. Disse-lhe mais. Lança ás costas a tua capa, e segue-me.

     “E, saindo o seguia. E não sabia que era real o que estava sendo feito pelo anjo, mas cuidava que via alguma visão.

     “E, quando passaram a primeira e segunda guarda, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, a qual se lhes abriu por si mesma; e, tendo saído, percorreram uma rua, e logo o anjo se apartou dele.

     “E Pedro tornando a si, disse: Agora sei verdadeiramente que o Senhor enviou o seu anjo, e me livrou da mão de Herodes, e de tudo o que o povo dos Judeus esperava.” - Actos 12:1-11.

     À primeira vista parece estranho o facto de ser dedicado mais de um capítulo (68 versículos) do livro dos Actos ao martírio do diácono Estevão, enquanto é dedicado apenas um único versículo ao martírio do Apóstolo Tiago. Se o livro dos Actos não fosse mais do que um livro de história inspirador que a maioria dos crentes supõe ser decerto que isto não teria sido assim, pois Tiago não foi apenas o primeiro dos doze apóstolos a morrer como mártir, mas a sua morte dissolveu o famoso trio de homens unidos em profunda comunhão com o Senhor, durante o Seu ministério terreno. Que golpe, então, a sua execução à espada deve ter sido para a Igreja Messiânica e que historial poderia ter sido escrito acerca dela! Na realidade, existe uma tradição antiga, citada por Eusébio que afirma que o próprio acusador de Tiago se converteu por intermédio do comportamento do apóstolo na sua aflição, ao acompanhá-lo ao local da execução pedindo-lhe e recebendo dele o perdão durante o trajecto.

     Contudo o livro dos Actos é mais, muito mais, que um livro de histórias de vitórias espirituais registadas para nos inspirar e desafiar. É a narrativa da queda de Israel e da soberana graça de Deus, que nos mostra porque é que a nação de Israel foi agora posta de parte temporariamente nos tratos de Deus; e porque é que a salvação por meio da cruz está a ser oferecida agora a todos os homens aparte de Israel e das promessas do concerto.

     Em Mateus 2 encontramos “o rei Herodes”, um Idumeu a estender as mãos sobre Cristo, o legítimo Rei de Israel. Aqui encontramos um outro “rei Herodes”, a estender as suas mãos sobre os seguidores do legítimo Rei de Israel. Notemos bem: Herodes não estende as mãos sobre os Judeus; ele estende as mãos “sobre alguns da igreja” e triste é dizer, Israel comprazeu-se nisso. A nação prefere o reino Edomita1 ao Messiânico – do Seu próprio Messias. Deus responde assim à apostasia de Israel com mais desvios do programa resumido para o estabelecimento do reino Messiânico na terra.

     Depois do homicídio de Estevão no capítulo 7 e da intensa perseguição aos seguidores do Messias no capítulo 8, temos a conversão e comissão de Paulo como um outro apóstolo, separado dos doze, no capítulo 9 (cf. Actos 22:14,15; 26:16-18); o primeiro desvio do programa profético do reino, e o primeiro passo na introdução duma nova dispensação.

     Depois, ao regressar a Jerusalém e ao esperar que o seu testemunho de Cristo voltasse o estado de coisas em Israel, o Senhor diz a Paulo:

     “Dá-te pressa, e sai apressadamente de Jerusalém; PORQUE NÃO RECEBERÃO O TEU TESTEMUNHO ACERCA DE MIM” (Actos 22:18).

     Depois disto, no capítulo 10, Pedro, por meio de uma visão especial é enviado a pregar Cristo aos Gentios, não porque Israel tivesse aceite Cristo e o passo seguinte na “grande comissão” pudesse ser agora levado a cabo, mas porque Israel persistia em rejeitar Cristo, e Deus iria em face disso abençoar agora os Gentios aparte na nação. A respeito desta experiência Pedro simplesmente explica: ”Quem era então eu, para que pudesse resistir a Deus?” (Actos 11:17).

     Um outro desvio do programa do reino ocorre quando Cornélio e a sua casa recebe o Espírito Santo sem terem sido primeiramente baptizados (Actos 10:44-48, cf. 2:38 e Marcos 16:15,16).

     Pedro e os seus irmãos ficam maravilhados perante esta mudança de procedimento (10:45) mas aprendem daí que Deus agora está a anular toda a “diferença” entre o Judeu e o Gentio no que concerne à salvação, ao purificar pela fé os corações dos Gentios (Actos 15:9).

     No capítulo 11 uma outra fase do programa do reino desaparece ao tornar-se necessário que os crentes Gentios em Antioquia enviem socorro material à Igreja em Jerusalém, acerca da qual foi dito uma vez: “Não havia pois entre eles necessitado algum” (Actos 4:34,35; 11:27-30).

     E agora, no capítulo 12, temos a seguir ao levantamento do próprio Paulo, a maior indicação de todas de que o estabelecimento terreno de reino é suspenso quando o apóstolo Tiago é morto à espada.2

     Nós vimos como o Senhor prometeu aos doze apóstolos que eles ocupariam doze tronos no reino e reinariam com Ele sobre as doze tribos de Israel (Mat.19:28). Vimos como o número foi de novo restaurado a doze após a queda de Judas, e na escolha de Matias, e como Deus sancionou a escolha (Actos 1:15-26; 2:4). Vimos também como, em Pentecostes , “Pedro, levantando-se com os onze”, apelou a Israel para que se arrependesse e recebesse o Seu Messias (Actos 2) e como Deus protegeu e sustentou os doze no meio das mais violentas perseguições, de tal modo que até quando todos os outros crentes tiveram de fugir de Jerusalém por causa das suas vidas, somente os doze permaneceram na cidade, divinamente protegidos.

     Contudo um dos doze é agora morto; e não pode ser feita qualquer tentativa para que seja substituído por outro, pois ele, ao contrário de Judas, tem um direito legítimo a um dos doze tronos. Torna-se assim evidente que o reino não será ainda estabelecido na terra,3 e que uma nova dispensação já principiou, ao Deus remover a Sua mão protectora dum dos doze e ao permitir que o rei Herodes o mate à espada. Entretanto a baixeza do declínio de Israel é vista no facto dos Judeus se terem agradado com o homicídio de Herodes na pessoa de Tiago.

     É por isso que o Dr. Arno C. Gaebelein, no seu livro, The Gospel of Matthew (O Evangelho de Mateus), disse:

     “O testemunho que foi principiado pelos apóstolos até à altura em que Israel rejeitou uma vez mais as ofertas de misericórdia do Senhor ressuscitado, quando Ele ainda esperava pelo arrependimento deles como nação, é um testemunho incompleto, inacabado” (Vol. I Pp. 209,210).

     E é por isso que Sir Robert Anderson, no seu Silence of God (O silêncio de Deus) classifica os Actos como “um livro que é primariamente o registo, não, como frequentemente se supõe, da fundação da Igreja Cristã, mas da apostasia da nação favorecida” (P. 177).

     Não é, assim, de admirar que após este capítulo Paulo, o apóstolo da nova dispensação, domine a cena completamente.


1 Os Edomitas, descendentes de Esáu, eram inimigos hereditários de Israel. Na verdade, Herodes não tinha direito ao trono pelo mero facto de ele não pertencer à linha real Davídica, nem ser sequer um Israelita autêntico (Deut. 17:15).

2 Contudo não foi a morte de Tiago que, mesmo parcialmente, originou o chamado “adiamento” do reino, pois o Senhor predissera anteriormente a morte de Pedro, um outro dos doze (João 21:18,19). Porém quão plenamente esta predição foi compreendida na altura, fica a questão em aberto, pois o Senhor não disse que Pedro morreria ou seria morto, embora fosse isso que ele tinha em mente (Vers. 19). A razão humana para o adiamento do reino foi a incredulidade de Israel; a razão divina foi o próprio propósito e graça de Deus.

3 Embora os daquele tempo ainda não compreendessem isso.

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