Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XIX - ACTOS 11:27-30 (Cont.)

PAULO E JERUSALÉM

     Tem sido questionado se realmente Paulo e Barnabé visitaram Jerusalém nesta ocasião. O registo nos Actos diz da colecta tirada para os Santos da Judeia, que os crentes de Antioquia “enviaram-na aos anciãos por mão de Barnabé e de Saulo”. Isto parece indicar que Barnabé e de Saulo foram a Jerusalém, contudo em Gál. 1:18-2:1 o próprio Paulo diz que ele não subiu de novo a Jerusalém a fim de ver os outros apóstolos senão catorze anos após o seu primeiro retorno a Jerusalém registado em Actos 9:26.

     Este problema tem induzido alguns a concluírem que Paulo e Barnabé não devem ter ido a Jerusalém levar a oferta deles, mas que apenas viram que o assunto fora tratado. A passagem em consideração (Actos 11:30) poderia admitir bem esta interpretação, mas Actos 12:25 completa o registo com a declaração: “E Barnabé e Saulo, havendo terminado aquele serviço, voltaram de Jerusalém levando também consigo a João, que tinha por sobrenome Marcos”.

     Isto parece tornar conclusivo que Paulo foi a Jerusalém nesta ocasião, e isto é confirmado pelo facto de João Marcos ser de Jerusalém (cf. Actos 13:13).

     Contudo como explicaremos então a declaração solene de Paulo aos Gálatas, de que ele não estivera em contacto com qualquer dos apóstolos desde que visitara Pedro, três anos após a sua conversão, a não ser catorze anos mais tarde, quando foi a Jerusalém a fim de defender a liberdade Gentílica?

     A solução para este problema não consiste numa dificuldade tão grande, como aparentemente parece a princípio, pois o argumento do apóstolo na carta aos Gálatas não é que ele não tivesse visitado Jerusalém durante todo aquele tempo, mas que não vira qualquer dos apóstolos de Jerusalém durante todo aquele tempo.

     Ele salienta em primeiro lugar que imediatamente após a sua conversão, “não consultou a carne nem o sangue”, continua a dizer:

     “Nem tornei a Jerusalém, A TER COM OS QUE JÁ ANTES DE MIM ERAM APÓSTOLOS.” (Gál. 1:16,17).

     Depois, ao explicar que três anos mais tarde tinha ficado com Pedro durante quinze dias, e não vira nenhum dos outros apóstolos excepto Tiago, o irmão do Senhor (um apóstolo apenas em sentido secundário) ele continua a contar como não contactou de novo os apóstolos, a não ser “catorze anos mais tarde” (Gál. 1:18-21).

     Assim, não foi por falta de candura da parte do apóstolo que ele omitiu uma ida a Jerusalém em que não viu nenhum dos doze, uma vez que a questão em causa era se na realidade ele tinha ou não recebido a sua mensagem e autoridade dos doze. Em Actos 24:17 na sua defesa perante Félix, o apóstolo passa por cima de tudo e da última das suas visitas a Jerusalém, dizendo “Ora, muitos anos depois vim trazer à minha nação esmolas e ofertas”. Isto era necessário para que fosse breve, e não foi de modo algum desonesto.

     Pode ser perguntado se seria verosímil o facto do apóstolo poder ter visitado Jerusalém sem ter visto nenhum dos doze. A resposta é que esse facto foi bastante verosímil e, à luz de todo o registo, foi exactamente o que aconteceu.

     Primeiro, deve ser lembrado que no primeiro regresso de Paulo a Jerusalém ele ficou com Pedro durante quinze dias, embora não tivesse visto nenhum dos outros onze (Gál 1:18,19). Tiago, o irmão do Senhor, como provámos, não era um dos doze. Onde estariam os outros onze? Podem muito bem ter saído para trabalhar entre as igrejas da Judeia. Embora o quartel-general das igrejas da Judeia fosse em Jerusalém, não se segue necessariamente daí que eles tivessem que permanecer sempre na cidade. De facto é probabilíssimo que eles estivessem fora durante bastante tempo e naturalíssimo que o próprio Pedro, como líder e cabeça deles, permanecesse em Jerusalém.

     Segundo, na ocasião que agora está a ser discutida, é bastante possível que Pedro estivesse na prisão, pois a história do seu aprisionamento segue-se imediatamente à declaração de que Barnabé e Saulo tinham sido enviados à Judeia com a oferta de Antioquia. Ou, pode ser que Pedro já tivesse escapado para Cesareia (Actos 12:19). Nesta ocasião pode ser que Paulo não tivesse visto os outros apóstolos por eles estarem grandemente preocupados com a perseguição de Herodes e é mais provável eles terem estado novamente ausentes da cidade, pois é claro que eles não se encontravam entre o grupo reunido em oração pela libertação de Pedro, em casa de João Marcos, nem nos lugares próximos por onde Pedro passou, após deixar este grupo (Actos 12:12,17,19).

     Terceiro, o apóstolo declara clara e solenemente aos Gálatas que não viu de novo nenhum dos doze a não ser “catorze anos depois” do seu primeiro regresso. Isto deveria colocar um ponto final no assunto, pois o uso de uma passagem, obscura ou difícil, de modo a fazê-la contradizer uma declaração tão clara e tão solene, como a de Paulo aos Gálatas, violaria uma regra fundamental da interpretação Bíblica. Contudo a passagem em Actos 11 até nem deveria ser classificada como obscura ou difícil, pois um pequeno exame proporcionará uma explicação plena para o problema. É de importância básica o facto de a passagem não dizer que Barnabé e Saulo viram ou tiveram qualquer contacto com os apóstolos nesta visita, e pode ser razoavelmente assumido que se eles tivessem tido qualquer contacto com eles teria havido uma referência a isso. Os “anciãos” a quem a oferta foi enviada constituíam um grupo maior, como é evidente em passagens como Actos 15:2.

     Alguns têm pensado que uma vez que o Senhor instruíra Paulo a sair de Jerusalém na altura do seu primeiro regresso (Ver Actos 22.17-21), seria errado para ele voltar agora lá novamente. Contudo o apóstolo certamente que compreendia que seria enviado “aos Gentios de longe” em vez de lhe ser permitido pregar em Jerusalém porque, como o Senhor disse: ”Porque não receberão o teu testemunho acerca de Mim” (Actos 22:18,21).

     Paulo não estava a violar este mandamento ao trazer aquela oferta aos crentes ali. Nem ele o violou quando mais tarde, subiu para comunicar aos líderes da igreja ali, o Evangelho que ele tinha estado a pregar entre os Gentios e para defender a liberdade dos Gentios da lei de Moisés. Nós sabemos que nessa altura não o estava a violar, pois ele diz, pelo Espírito: “Subi por uma revelação” (Gál. 2:2).

     A sua última visita a Jerusalém foi um caso diferente. Nessa ocasião o seu ministério aos “santos pobres em Jerusalém” foi apenas incidental. Ao esperar que a oferta fosse aceita por eles (Rom. 15:31) e que assim eles estivessem do seu lado, ele foi “testificar do Evangelho da graça de Deus” (Actos 20:24).

     O apóstolo desejava, sem sombra para qualquer dúvida, manifestar este amor pelo seu Senhor (Actos 20:24).e pelos da sua nação, por quem ele experimentou “grande tristeza e contínua dor no (seu) coração” (Rom. 9:2) e cuja salvação foi sempre “o bom desejo do (seu) coração” (Rom. 10:1). Mas é possível desobedecer-se aos mandamentos de Deus por um bom motivo. Assim devemos ser cuidadosos em dar-Lhe o que Ele diz que deseja, não o que nós pensamos que Ele deveria desejar. Neste caso Paulo já tinha sido informado que os da sua nação não aceitariam o seu testemunho a respeito de Cristo, e é significante o facto de o mesmo profeta Ágabo, que primeiramente indicou que os santos em Jerusalém sofreriam necessidade, indicou neste caso que Paulo não deveria entrar na cidade, avisando-o do que lhe aconteceria ali às mãos dos Judeus (Actos 21:10,11).

     O registo desta última visita não fornece qualquer indicação de que Paulo tivesse proclamado “o Evangelho da graça de Deus”, ou que neste caso, a sua oferta para os santos tivesse produzido o resultado almejado. Certamente que os crentes não se colocaram do seu lado quando foi perseguido às mãos dos Judeus. Em vez disso ele foi levado para Roma a fim de se tornar no “prisioneiro de Jesus Cristo” pelos Gentios (Ef. 3:1). Certamente que nisto Deus foi graciosamente soberano para o bem de Paulo e para a Sua própria glória.

     Mais adiante trataremos disto mais plenamente, contudo tocámos aqui nisto para salientar o facto de que Paulo tinha sido instruído para sair de Jerusalém apenas porque Deus sabia que eles não receberiam o seu testemunho a respeito de Cristo e o tinha chamado para um ministério especial entre os Gentios. Este mandamento não implicava numa proibição contra o ele enviar ou trazer socorro financeiro aos crentes em Jerusalém. Na realidade, esta ajuda material repetida de tantas igrejas Gentílicas, numa altura de tanta necessidade foi também calculada para todos os corações dos crentes Judaicos e torná-los preparados para a grande revelação de que perante Deus eles eram um em Cristo juntamente com os crentes Gentios (I Cor.12:13; II Cor. 5.16,17; Gál. 3:26-28; etc). O levantamento de Paulo, a conversão da casa de Cornélio e destes Gentios em Antioquia, a despeito de Israel ter rejeitado Cristo, e agora esta oferta enviada de Antioquia para os santos em Jerusalém foram o início do histórico derrube da parede de separação, tornado possível por meio da cruz.

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