Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XIX - ACTOS 11:19-30
A IGREJA EM ANTIOQUIA
GENTIOS SALVOS EM ANTIOQUIA
“E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estevão caminharam até à Fenícia. Chipre e Antioquia não anunciando a ninguém a Palavra senão somente aos Judeus.
"E havia entre eles alguns varões chiprios e cirenenses, os quais entrando em Antioquia, falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus.
“E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor
“E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém e enviaram Barnabé à Antioquia.
“O qual, quando chegou, e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor com propósito do coração.
“Porque era homem de bem, e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor.
“E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e achando-o, conduziu para Antioquia.
“E sucedeu que todo o ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados Cristãos.” - Actos 11:19-26.
Muito pouca atenção tem sido prestada pelos teólogos em relação ao importante facto de que desde a altura em que os onze receberam em primeira mão a sua grande comissão até à conversão de Cornélio, a Palavra era pregada “a ninguém ... senão somente aos Judeus”. Este facto deveria ser francamente enfrentado pelos que defendem que a chamada “grande comissão” dizia respeito “ao evangelho da graça de Deus” e que o Corpo unido de Ef. 3 principiou em Pentecostes.
Em Pentecostes, a despeito de quaisquer Gentios que eventualmente pudessem estar presentes, só foram tidos em conta os “Judeus ... de todas as nações debaixo do céu”, e isto de tal modo que Pedro, cheio do Espírito, dirigiu-se na sua mensagem apenas aos “varões Judeus”, “varões Israelitas” e “toda a casa de Israel”.
Desde aqui até depois da conversão de Saulo, quando Pedro foi enviado a Cornélio, não encontramos o mais leve desvio deste procedimento. Na segunda grande mensagem Pentecostal de Pedro, ele inclui novamente apenas os filhos de Israel ao dizer: “Vós sois os filhos dos profetas e do concerto que Deus fez com os nossos pais...” (Actos 3:25). Perante o Sinédrio Judaico encontramo-lo a declarar que Deus exaltara Cristo “para dar a Israel o arrependimento, e a remissão de pecados” (Actos 5:31) e, juntamente com os outros apóstolos, ele continua “todos os dias no templo” a pregar Cristo (Actos 5:42). No “ministério diário”, pouco antes do apedrejamento de Estevão, encontramos “uma murmuração dos Gregos (Judeus que falavam Grego) contra os Hebreus” devido ás suas viúvas estarem a ser negligenciadas, porém nenhum Gentio está incluído no grupo.
E agora em Actos 11:19, lemos que mesmo os que tinham sido dispersos devido à “grande perseguição” de Actos 8:1, tinham ido pregar “a Palavra A NINGUÉM SENÃO SOMENTE AOS JUDEUS”.
Como temos visto, isto não aconteceu devido a eles serem preconceituosos com os Gentios, ou por os não desejarem ver salvos, mas antes porque de acordo com os concertos, as profecias e a “grande comissão”, a nação de Israel deveria ser primeiramente trazida aos pés do Messias antes que a salvação e a benção pudessem fluir para os Gentios (Ver Marcos 7:27; Lucas 24:47; Actos 3:25,26; 13:46; Rom. 15:8,9).
Contudo1 alguns dos discípulos dispersos, varões de Chipre e Cirense, ao chegarem a Antioquia, pregam agora o Senhor Jesus aos Gregos (não aos Judeus Gregos como veremos a seguir).
1 A Versão Revista Americana começa o vers. 20, com a palavra “Contudo”.



