Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XVIII - ACTOS 11:1-18 (Cont.)

A DEFESA DE PEDRO PERANTE OS SEUS IRMÃOS

     Também deve ser notado que Pedro, na sua defesa perante os seus irmãos, não indicou que tivesse recebido qualquer revelação quanto a um novo programa que estava para ser introduzido. Na verdade, a sua explicação indica que ele até ainda nem tinha compreendido perfeitamente o que Deus estava a fazer. Ele meramente “começou a fazer-lhes uma exposição por ordem”, isto é, ele relatou os factos simples e naturais, explicando como ele próprio dissera: “De maneira nenhuma, Senhor”, e como o próprio Senhor ordenara este desvio do programa revelado, e ordenara a acompanhar os mensageiros Gentílicos “nada duvidando”1 e tinha interrompido a sua mensagem quando começou a falar. “E também”, ele acrescentou: “estes seis irmãos foram comigo”. Estes seis irmãos Judaicos tinham entrado com ele na casa Gentílica e tinham ficado tão atónitos quanto ele, perante o que Deus tinha operado ali. Pedro resume assim a sua defesa ao dizer simplesmente: “Quem era então eu, para que pudesse resistir a Deus?”

     Os críticos de Pedro não deduziram, como alguns supõem, que um novo programa de evangelização para todo o mundo estava agora a ser encetado, pois se eles tivessem deduzido isso, teríamos de acusá-los de grande desobediência pois não o começaram a levar a cabo imediatamente. Porém nem Pedro nem eles receberam qualquer revelação quanto a um novo programa. Pedro apenas fora enviado a uma única casa Gentílica e ele e os seus irmãos regozijavam-se agora juntos por Deus ter agora concedido aparentemente aos Gentios arrependimento para a vida.

     Tudo isto enfatiza de novo o facto de que este incidente especial visava da parte de Deus o reconhecimento do ministério subsequente de Paulo entre os Gentios pela igreja em Jerusalém, e nós veremos como isto está provado ter sido mesmo assim, ao considerarmos o registo do grande concílio em Jerusalém em Actos 15.

     A razão porque Deus não instruiu os apóstolos da circuncisão para que continuassem a ministrar aos Gentios foi evidentemente devido ao facto de apesar de Paulo estar prestes a começar a trabalhar entre os Gentios, Deus ainda não ter deixado de tratar com Israel. Os apóstolos de circuncisão deveriam continuar a operar com a nação favorecida durante algum tempo, de modo a que Deus pudesse dizer, quando finalmente a pôs de parte:

     “Todo o dia estendi as Minhas mãos a um povo rebelde e contradizente” (Rom. 10:21).

     Decerto que o versículo 18 da passagem que estamos a considerar prova que os apóstolos e irmãos em Jerusalém não desgostavam dos Gentios, pois ao Pedro relatar-lhes a sua experiência, eles não somente “se apaziguaram”, mas também “glorificaram  Deus” por conceder salvação aos Gentios.


O BAPTISMO DOS GENTIOS COM O ESPÍRITO

     Há um particular no testemunho de Pedro que merece especial atenção. É o que diz respeito ao baptismo destes Gentios com, ou no Espírito Santo.

     Alguns supõem que o facto de eles terem falado línguas (10:46) prova que a sua conversão foi estritamente um pormenor do reino e de modo algum relacionado com a presente dispensação ou o Corpo de Cristo.

     Em suporte deste ponto de vista citam as palavras de Pedro:

     “E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João certamente baptizou com água: mas vós sereis baptizados com o Espírito Santo.

     “Portanto, se Deus lhe deu o mesmo dom que a nós, quando havemos crido no Senhor Jesus Cristo, quem era então eu, para que pudesse resistir a Deus?”
(11:16,17).

     Contudo aos Coríntios que se converteram sob o ministério de Paulo e foram chamados membros do Corpo de Cristo (I Cor. 12:12,13,27) também lhes foi dado “o mesmo dom” e falaram livremente línguas. Temos assim aqui membros do Corpo a falarem línguas.

     Do que nos devemos lembrar aqui é que este dom de poder miraculoso pelo baptismo com o Espírito era a única maneira de Pedro, ainda ignorante acerca do mistério, poder dizer que estes Gentios tinham sido aceites por Deus sem circuncisão e baptismo. Esta é uma das razões porque até mesmo os Gentios sob o ministério de Paulo receberam poderes miraculosos enquanto Deus ainda continuava a tratar com Israel como nação. Deste modo aos Judeus, crédulos e incrédulos, foi-lhes dada evidência de que isto era na verdade obra de Deus.

     Ao prosseguirmos nos nossos estudos nos Actos veremos muitas indicações duma sobreposição de duas dispensações, pois apesar de com a conversão de Saulo Deus ter principiado a introduzir a dispensação da graça, o novo programa foi contudo revelado apenas gradualmente, e entretanto os sinais deveriam continuar a provar a Israel e aos crentes Judaicos que a nova dispensação era o propósito de Deus.


1 Porque a palavra Grega diakrino significa muitas vezes tentar ou julgar, a Versão Revista Americana traduz diakrinomenos: “não fazendo nenhuma distinção” (isto é, entre ele próprio e estes Gentios). Contudo diakrino também pode significar duvidar, tremular, hesitar, vacilar e parece ser este o pensamento aqui. Pelo menos é assim em Tiago 1:6, onde a Versão Revista Americana traduz a mesma palavra diakrinomenos: “nada duvidando”.

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