Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XVI - ACTOS 9:23-31
O REGISTO DO MINISTÉRIO DE PEDRO RESUMIDO
O ESCAPE DE DAMASCO
“E, tendo passado muitos dias, os judeus tomaram conselho entre si para o matar,
“Mas suas ciladas vieram ao conhecimento de Saulo; e como eles guardavam as portas, tanto de dia como de noite, para poderem tirar-lhe a vida,
“Tomando-o de noite, os discípulos o desceram, dentro de um cesto, pelo muro.” - Actos 9:23-25.
O grande perseguidor já se tinha tornado no perseguido. Ele já estava “em perigos entre os da sua nação”. Em II Cor. 11:32,33 ele conta mais da história:
“Em Damasco, o que governava, sob o rei Aretas, pôs guardas às portas da cidade dos damascenos, para me prenderem;
“E fui descido num cesto, por uma janela da muralha, e assim escapei das suas mãos.”
Diz-se que Aretas era sogro de Herodes Antipas e que ele guerreara Herodes por este ter rejeitado a sua filha em troca da mulher do seu (de Herodes) irmão Filipe, Herodias (Cf. Marcos 6:17,18). Se isto é verdade os judeus em Damasco podem bem ter-se colocado contra Herodes, e o governador sob Aretas pode ter retribuído ao tentar prender Saulo para entregá-lo a eles.
Qualquer que tivesse sido a razão, o governador de Damasco fechou a cidade a fim de proceder à prisão de Saulo, mas o assunto tornou-se conhecido, e Saulo, escondido num cesto, foi descido por amigos por uma janela no muro da cidade. Assim principiou uma longa série de perigos e perseguições, algumas das quais o apóstolo regista em II Cor. 11.
Nesta relação, é interessante notar no que o apóstolo sempre se gloria. Nunca é na sua posição ou influência, muito menos no seu lugar de honra na nação Hebraica, mas sempre na sua posição em Cristo e nas suas perseguições por Cristo. Ele vê que nele próprio não é nada senão um pobre pecador; que, não fosse pela graça de Deus, ele ainda se encontraria entre os blasfemadores e perseguidores de Cristo; que os seus sofrimentos agora não são senão os sofrimentos de Cristo.
Em II Cor. 12:1-5 ele gloria-se no homem “em Cristo” que foi “arrebatado” ao terceiro céu. Mas em II Cor. 11:32,33 ele também fala do homem “descido”, um fugitivo escondendo-se de noite num cesto para escapar à morte,1 e acrescenta:
“Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então sou forte.” (II Cor. 12:10).
O REGRESSO A JERUSALÉM
“E quando Saulo chegou a Jerusalém, procurava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não crendo que fosse discípulo.
“Então Barnabé, tomando-o consigo, o trouxe aos apóstolos, e lhes contou como, no caminho, ele vira o Senhor e lhe falara, e como, em Damasco, falara, ousadamente no nome de Jesus,
“E andava com eles em Jerusalém, entrando e saindo,
“E falava ousadamente no nome de Jesus. Falava e disputava, também, contra os gregos, mas eles procuravam matá-lo.
“Sabendo-o, porém, os irmãos, o acompanharam até Cesareia e o enviaram a Tarso.
“Assim, pois, as igrejas em toda a Judeia, e Galileia e Samaria tinham paz, e eram edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e na consolação do Espírito Santo.” - Actos 9:26-31.
Como já vimos, Saulo regressou a Jerusalém nesta ocasião “para ver2 a Pedro” (Gál. 1:18). Isto era natural. A sua vida não estava segura em Damasco e apesar de ser seu desejo profundo regressar a Jerusalém, o primeiro quartel-general da sua perseguição, o perigo para a sua vida podia até ser maior entre os Judeus ali. Então, ele iria directamente a Pedro, o líder dos doze e o cabeça designado da Igreja Pentecostal, e relatar-lhe a sua história.
Contudo a sua tentativa em se unir aos discípulos ali, foi desencorajada e repelida porque “todos temiam, não crendo que fosse discípulo” (Vers. 26).
Também isto era natural, pois não é difícil compreender como os crentes de Jerusalém se retraíam suspeitosamente e receosamente de alguém que tinha sido tão violento perseguidor; cujas mãos ainda gotejavam o sangue fresco dos seus parentes e amigos.
Mas aqui Barnabé, “o Filho da Consolação”,3 vem em auxilio de Saulo. Diz-se que pode ser que os dois já se conhecessem uma vez que Barnabé veio de Chipre (Actos y:36) e Saulo de Tarso, muito perto de Chipre, na costa Asiática. Em qualquer caso, Barnabé tomou Saulo pela mão (como revela o original) e trouxe-o aos apóstolos, explicando como o Senhor lhe aparecera e como Saulo tinha ousadamente pregado no Seu nome em Damasco.
Como resultado Pedro levou evidentemente Saulo para sua própria casa, pois mais tarde Paulo fala dessa visita: “(Eu) fiquei com ele quinze dias” (Gál. 1:18). Com isto obteve alguma admissão, pois lemos adiante que “(Ele) andava com eles em Jerusalém, entrando e saindo” (Actos 9:28).
1 Talvez ele mencione particularmente este caso porque foi o primeiro dos seus sofrimentos por Cristo e era representativo do que ele teria de enfrentar ao longo de toda a sua vida e testemunho.
2 Lit. ter uma reunião com.
3 Assim chamado pelos próprios apóstolos (Actos 4:36).



