Apocalipse Capítulo 1:18-3:22
Estudos no Livro do Apocalipse
Por Paul M. Sadler
Durante as últimas semanas tenho lido os diários de Lewis e Clark. Tenho de confessar que é um registo notável de heroísmo. Em 1803 o Presidente Jefferson comissionou Lewis e Clark para explorarem o Pacífico Noroeste, pouco depois da aquisição da Louisiana pelos Franceses. Precisaram aproximadamente de um ano para adquirirem os abastecimentos necessários e reunirem os quarenta membros da expedição. Cada membro da equipa era o melhor do melhor que havia nesta área particular, e para a melhor razão.
Durante as últimas semanas tenho lido os diários de Lewis e Clark. Tenho de confessar que é um registo notável de heroísmo. Em 1803 o Presidente Jefferson comissionou Lewis e Clark para explorarem o Pacífico Noroeste, pouco depois da aquisição da Louisiana pelos Franceses. Precisaram aproximadamente de um ano para adquirirem os abastecimentos necessários e reunirem os quarenta membros da expedição. Cada membro da equipa era o melhor do melhor que havia nesta área particular, e para a melhor razão.
No dia 14 de Maio de 1804, a expedição deixou St. Louis, viajando para Norte através do Dakota do Sul para a zona central Oeste do Dakota do Norte onde passaram o Inverno. Era o Oeste mais distante que qualquer homem branco tinha chegado. No dia 3 de Abril da Primavera seguinte Lewis e Clark conduziram a expedição na direcção Oeste, para Montana, com a incerteza do que enfrentariam ao retomarem a sua jornada rumo ao grande desconhecido.
O medo do desconhecido pode ser preocupante. Nós cremos que isto é especialmente verdade para o descrente que sente que o mundo está à beira da destruição, mas não tem consciência da seriedade da sua condição de perdido. Uma vez que estas coisas se discernem espiritualmente, nós arcamos com a responsabilidade de avisar os homens em toda a parte para que fujam da ira futura. O próprio Paulo argumentou com Félix a respeito da justiça, da temperança e do juízo vindouro (Actos 24:25).
O amor de Deus enviou o Seu querido Filho à Cruz para que pudéssemos desfrutar do conhecimento de pecados perdoados e do livramento do dia da Sua vingança. Mas se a salvação que está em Cristo Jesus for rejeitada, Deus derramará a ferocidade da Sua ira sobre os descrentes. Antes de podermos efectivamente avisar os homens, nós temos que primeiro equipar-nos com uma melhor compreensão acerca das coisas vindouras. É por isso que é essencial proclamar todo o conselho de Deus, que inclui o Livro do Apocalipse. É claro que o devemos fazer sempre à luz do Evangelho de Paulo, onde somos instruídos a manejar bem a Palavra da verdade.
A SOBERANIA DE DEUS
Apesar dos homens falarem do fim do mundo em termos de um holocausto nuclear ou duma calamidade mundial, o facto é que Deus terá a palavra final sobre a questão da Sua criação, como o Apocalipse claramente prediz. Ele é soberano! Com efeito, “segundo a Sua vontade Ele opera com o exército do céu e os moradores da terra: não há quem possa estorvar a Sua mão, e Lhe diga: Que fazes?” (Dan. 4:35).
Mas ... uma pergunta: se Deus está no controlo então porque é que Ele permite o que o mal, aparentemente, prevaleça no mundo? Irmão, Deus hoje não está a acusar os homens dos seus pecados; pelo contrário, está a dar-lhes uma oportunidade para que creiam no Evangelho. A isso chama-se graça! Isto não significa que Ele se tenha esquecido dos seus caminhos injustos. Assinala estas palavras e assinala-as bem: o descrente que rejeita o Evangelho está a armazenar a ira de Deus contra si mesmo. Um registo dos seus pecados está a ser guardado para ele “no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus” (Rom. 2:5 cf. II Cor. 5:19).
“E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno [Hades]” (Apo. 1:18).
Quando o Senhor deu a Pedro as chaves do reino, essencialmente Ele deu ao apóstolo a autoridade para actuar em Seu nome no respeitante às questões do reino. Contudo isto não incluía o poder sobre a morte e o Hades, que pertence apenas a Cristo. Mesmo apesar dos santos da tribulação serem assinalados pelo Anticristo para a morte, eles não necessitam de temer a morte, pois Cristo tem o poder sobre a mesma. Ele é a ressurreição e a vida! Isto será especialmente consolador no futuro dia do Senhor, quando se virem proporções nunca antes vistas deste martírio. Como sabemos, o Holocausto durante a II Guerra Mundial circunscreveu-se principalmente à Europa, mas o que irá acontecer será global no seu alcance (Apo. 6:7-11). O custo de se testemunhar de Cristo nesse dia será extremamente elevado.
AS SETE IGREJAS NA ÁSIA
“ESCREVE ao anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz Aquele que tem na Sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro” (Apo. 2:1).
João é instruído para escrever ao anjo da igreja que está em Éfeso. É óbvio, no contexto, que ele não estava a escrever a um ser angélico celestial. O termo “anjo” é a palavra Grega aggelos, ou mensageiro. De facto, nas Escrituras algumas vezes é traduzido por “mensageiro”. Por exemplo, o Senhor disse: “Porque é este de quem está escrito: Eis que diante da tua face envio o Meu anjo, que preparará diante de ti o teu caminho” (Mat. 11:10). João Baptista era o mensageiro [aggelos] de Deus que foi enviado para preparar o caminho para a vinda do Messias.
Assim João está a escrever ao mensageiro ou pastor da assembleia local situada em Éfeso. Embora esta carta contenha instruções específicas para esta assembleia particular, o âmbito dela é muito mais vasto. Nós cremos que as cartas às sete igrejas na Ásia destinavam-se a ser encíclicas (cartas circulares). Isto é confirmado pela repetida referência a “o Espírito diz às igrejas” (Apo. 2:7). Por outras palavras, estas cartas serão distribuídas a todas as assembleias do reino para instrução, como acontece com as epístolas de Paulo hoje. Do mesmo modo que nós nos voltamos para a revelação de Paulo onde encontramos os mandamentos de Cristo para a Igreja, os santos da tribulação voltar-se-ão para as epístolas Hebraicas onde encontram a sua guia de marcha, ou ordens a seguir, com ênfase especial nestas sete cartas.
Como vimos, a Igreja, o Corpo de Cristo não é tema dos capítulos dois e três do Livro do Apocalipse. Apesar disto ser contrário à tradição da Igreja, é, no entanto, o verdadeiro testemunho das Escrituras. Tanto a terminologia como a fraseologia destes capítulos são completamente estranhas às epístolas Gentílicas de Paulo. Contudo são frequentemente encontradas nos Escritos Proféticos. A seguinte comparação demonstra a nossa razão:
1. A árvore da vida (Gén. 3:22) cf. A árvore da vida (Apo. 2:7).
2. Sinagoga (Marcos 1:23) cf. Sinagoga (Apo. 2:9).
3. Balaão e Balaque (Núm. 23:1 cf. 31:16) cf. Balaão e Balaque (Apo. 2:14).
4. [O] que vence (I João 5:4,5) cf. Ao que vencer (Apo. 2:26).
5. Quem tem ouvidos para ouvir ouça (Mat. 11:15) cf. Quem tem ouvidos, ouça (Apo. 2:29).
6. O Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus (Lucas 12:8) cf. confessarei o seu nome … diante dos Seus anjos (Apo. 3:5).
Quando os 12 Apóstolos questionaram o Senhor sobre o fim do mundo, o Mestre proferiu o que ficou conhecido como O Sermão do Monte das Oliveiras. Uma leitura informal do discurso revela que o Evangelho do reino será pregado na futura tribulação (Mat. 24:14). Sob este Evangelho será necessário chamar Israel ao arrependimento no princípio da tribulação uma vez que a nação tem um vínculo contratual (ligação por concerto) com Deus. Como nos dias de João Baptista, a nação terá de realizar obras dignas de arrependimento. Por exemplo:
“E a multidão o [João Baptista] interrogava, dizendo: Que faremos pois? E, respondendo ele, disse-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos faça da mesma maneira. E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo” (Lucas 3:10,11,14).
Uma vez que esta ligação por concerto seja restabelecida será necessário que cada Israelita coloque a sua fé no Messias e se submeta ao rito do baptismo na água como expressão da sua fé. Isto ajuda-nos a compreender uma declaração que o Filho do Homem faz a cada uma das sete igrejas na Ásia. Ele diz sete vezes, “Eu sei as tuas obras” (Apo. 2:2). Ou seja, as tuas obras da circuncisão, de arrependimento, e do baptismo na água. Naquele dia a fé expressar-se-á através de obras de arrependimento e do baptismo na água. Como Tiago diz, “ a fé sem obras é morta”. Ao contrário do Evangelho da graça de Deus, o Evangelho do reino está baseado num sistema de acção (obras).
Além disso, o Senhor recomenda muitos destes santos do reino pelo seu fiel serviço e boas obras após a sua conversão. “Eu conheço as tuas obras, e a tua caridade, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras” (Apo. 2:19). O Senhor não só reconhece as suas obras iniciais de arrependimento, como também as obras que se lhes seguiram posteriormente. Como membros do Corpo de Cristo, devermos-nos exercitar em boas obras, sob o Evangelho do reino dar fruto era um evidência da salvação. Daí, a célebre declaração, “Por seus frutos os conhecereis” (Mat. 7:15-20).
Uma outra razão porque não somos tema nestas sete cartas centra-se ao redor da esperança destes crentes. Se João estivesse a escrever aos membros do Corpo de Cristo, como muitos ensinam, então o Arrebatamento teria de ser pós-tribulacionista, pois a esperança que ele defende para os seus leitores é a Segunda Vinda de Cristo. Para aqueles que manejam bem a Palavra da verdade isto é impensável!
Em mais de uma ocasião, o Filho do Homem desafia os santos da tribulação a “vigiarem” e a “guardarem”, a permanecerem até ao fim, até que Ele venha. Aos que falham em o conseguirem Ele avisa: “E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei” (Mat. 24:36-44 cf. Apo. 3:3; 19:11,12).
A PORTA DO NOSSO CORAÇÃO
"Eis que estou à porta, e bato: se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo" (Apo. 3:20).
Se no arsenal dos evangelistas há um versículo que é pedra angular na sua pregação do Evangelho é este. “Caro amigo pecador, se simplesmente abrires a porta do teu coração e receberes o Senhor Jesus pela fé, Ele virá e salvar-te-á dos teus pecados e dar-te-á o dom gratuito da vida eterna”.
Os artistas Cristãos também têm procurado captar este momento retratando o humilde Salvador diante de uma porta, que representa a porta do coração do pecador. Se observares atentamente esta porta, ela não possui nenhuma fechadura ou trinco do lado do Salvador; portanto, ela tem de ser aberta pelo pecador do seu lado de dentro de modo a permitir que o Salvador entre. Isto soa positivamente a romantismo, mas esta passagem absolutamente nada tem a ver com a salvação na administração da Graça. De facto, o mesmo pode ser dito no futuro dia do Senhor.
Temos que nos lembrar que o Filho do Homem não é apresentado como Salvador no Livro do Apocalipse, mas como Juiz de toda a terra. Tiago, falando do mesmo período declara: “Irmãos, não vos queixeis uns contra os outros, para que não sejais condenados. Eis que o Juiz está à porta” (Tiago 5:9). Nós também temos em mente que quando João escreve às sete igrejas na Ásia ele dirige-se a crentes – tanto fieis como infiéis. Se tomarmos a parábola da festa da bodas de que o Senhor falou durante o Seu ministério terreno, ela ajudar-nos-á a colocar Apocalipse 3:20 no seu próprio contexto.
“Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas as vossas candeias. E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier, e bater, logo possam abrir-lhe. Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa, e, chegando-se, os servirá. E, se vier na segunda vigília, e se vier na terceira vigília e os achar assim, bem-aventurados são os tais servos. Sabei, porém, isto: que, se o pai de família soubesse a que hora havia de vir o ladrão, vigiaria, e não deixaria minar a sua casa. Portanto, estai vós também apercebidos; porque virá o Filho do homem à hora que não imaginais” (Lucas 12:35-40).
Essencialmente, o Filho do Homem assentar-se-á para julgar quando Ele voltar à terra em poder e glória. Quando na Sua vinda Ele bater à porta, os crentes do reino que estiverem fielmente em vigilância e espera abrirão de imediato e serão introduzidos nas bênçãos do reino. Eles terão a honra de cear com Ele na bodas do Cordeiro (Apo. 19:9,10).
Mas os que seguirem as pegadas dos Laodiceanos estão em perigo se sofrerem grande perda. Eles não eram nem frios nem quentes; eram mornos devido à apostasia (Apo. 3:14-18). Para eles as riquezas deste mundo eram claramente mais importantes do que as coisas do Senhor. Assim o Senhor desejava que eles fossem antes frios ou quentes. Uma bebida quente só é satisfatória se estiver fumegante. De modo semelhante, uma bebida fria só é refrescante se for mantida fria. Contudo, uma bebida quente ou fria que se tenha tornado morna é indesejável.
“Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta, e bato ... (Apo. 3:19,20). Os que naquele dia forem infiéis farão bem em dar ouvidos a este aviso, de outro modo o Filho do Homem vomitá-los-á da Sua boca. Os que não se arrependerem entrarão no reino, mas ser-lhes-ão vedadas todas as bênçãos que o Senhor conferirá aos fieis, incluindo as bodas do Cordeiro.
UMA PORTA NO CÉU
"Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu: e a primeira voz, que como de trombeta ouvira falar comigo, disse: Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer. E logo fui arrebatado em espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono." (Apo. 4:1,2).
Segundo a interpretação tradicional, quando a era Laodiceana da Igreja terminar aparecerá uma porta aberta no céu. Esta visão diz que ao mandamento de “Sobe aqui”, a Igreja, o Corpo de Cristo, é arrebatada para a glória, no que geralmente é conhecido como Arrebatamento. Uma vez mais, temos de lembrar ao leitor que os eventos registados no Livro do Apocalipse são inteiramente futuristas. Por conseguinte, o Apóstolo João está a descrever o que ocorrerá após o Arrebatamento.
O Livro do Apocalipse regista quatro vezes que o céu será aberto na tribulação futura. É interessante que com cada ocorrência um evento significativo ocorre (Apo. 4:1:11:19; 15:5; 19:11). Aqui no capítulo quatro João é instruído a subir ali para receber uma revelação especial. Este é o amado João, um dos doze apóstolos do reino. Ele não era membro do Corpo de Cristo, nem representa a Igreja. João foi arrebatado no Espírito à sala do trono de Deus para um propósito muito específico.
Quando o apóstolo observa o trono de Deus no céu, os sete espíritos diante do trono, as quatro criaturas viventes, os 24 anciãos e o Cordeiro de Deus, uma coisa é clara: o dia da vingança de Deus chegou! O livro septuplamente selado que está prestes a ser aberto pelo Cordeiro contém os juízos de Deus. Nós devemos compreender que os eventos calamitosos que se seguem virão da mão de Deus, quando Ele derramar a Sua ira sobre este mau sistema mundial. Isto será plenamente compreendido pelo mundo no início da tribulação.
“E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; e diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?” (Apo. 6:15-17).



