Apocalipse Capítulo 1:11-17

Estudos no Livro do Apocalipse

Por Paul M. Sadler

“Que dizia: O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Smirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardo, e a Filadélfia, e a Laodiceia. E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro” (Apo. 1:11,12). 

Tendo ficado determinado que João escreveria às sete assembleias Judaicas no futuro dia do Senhor, ele é instruído a enviar o que escreveu a essas assembleias. Isto cumpriu-se quando o Livro do Apocalipse foi incluído no cânone das Sagradas Escrituras. O mesmo pode ser dito de todas as profecias futuristas deste período registadas no Velho Testamento (Ver Eze. 37:1-28).  

Quando a trombeta soar e os mortos em Cristo ressuscitarem e nós os que estivermos vivos formos arrebatados no Arrebatamento, indo ao encontro do Senhor, os crentes serão todos removidos da terra. Isto levanta naturalmente a questão: como é que os que constituem as sete igrejas na Ásia serão evangelizados no começo da Tribulação? Antes de respondermos a esta questão, temos de primeiro considerar se haverá ou não um hiato entre o Arrebatamento da Igreja e o começo da Tribulação.  

Muitos ensinadores da Bíblia capazes crêem que será necessário que Deus coloque um período intervalar de um ano entre estes dois eventos antes de reatar o programa Profético. Eles pensam que durará pelo menos esta quantidade de tempo a reedificação do Templo para se assegurar que o Anticristo estabeleça um concerto com Israel baseado no sistema sacrificial. Esta posição é bem merecedora de consideração judiciosa.

Mas, as Escrituras não têm nada a dizer sobre um hiato entre o programa do Mistério e a continuação da Profecia. Uma vez que estamos a viver na era parentética da graça, que estava oculta nos séculos e gerações passados, Paulo teria sido o primeiro a revelar isto se houvesse um breve intervalo antes do dia do Senhor. Porém o apóstolo está silencioso! Nós cremos que quando a trombeta soar no Arrebatamento ela romperá o silêncio da presente dispensação; será Deus a declarar guerra a este mundo que rejeita Cristo. Isto assinalará o começo da tribulação. Ambos os eventos serão simultâneos.

Mas há uma questão maior que é muitas vezes ignorada neste debate. Se após o Arrebatamento há um intervalo, Deus ficará sem um testemunho humano na terra – algo que Ele nunca fez no passado. Cremos que o palco já terá sido colocado nos bastidores para o cumprimento imediato da profecia que se segue ao arrebatamento da Igreja. É verdade que o sistema sacrificial terá de estar no lugar no início da Tribulação, mas isso pode ser facilmente conseguido com o uso do Tabernáculo, como eles fizeram nos dias do Rei Salomão, até o templo estar edificado. É claro que alguns crêem que Israel reedificará o Templo na sua própria força próximo do fim do corrente século. Nesse caso será simplesmente usado por Deus para cumprir o Seu propósito no futuro dia do Senhor.


AS DUAS TESTEMUNHAS 

“E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias [3½ anos], vestidas de saco” (Apo. 11:3).  

É nossa convicção firme que aqueles que constituem as sete igrejas na Ásia serão evangelizados por acção das duas testemunhas. Apesar de geralmente se crer que elas conduzem o seu ministério durante a última metade da Tribulação, este ponto de vista não se ajusta às Escrituras. Nós sabemos que Deus pronuncia três ais no Livro do Apocalipse. O primeiro acontece na primeira parte da Tribulação (Apo. 9:12), o segundo ai acontece no meio (Apo. 11:14), e o terceiro durante a última parte (Apo. 12:12). Isto indica claramente que as duas testemunhas sofrerão o martírio no meio da Tribulação, uma vez que o segundo ai é uma consequência directa das suas mortes (Apo. 11:7-14).  

Quando o som da trombeta se desvanecer à distância, as duas testemunhas aparecerão imediatamente em Jerusalém, onde confinarão o seu ministério durante 3½ anos, de acordo com a Grande Comissão (Actos 1:8 cf. Apo. 11:8). Com o restabelecimento do programa profético, os sinais, milagres, e maravilhas acompanharão a sua proclamação do Evangelho do reino.  

Estes dois servos do Senhor são chamados oliveiras que estão diante de Deus (Apo. 11:4). O uso simbólico da oliveira nas Escrituras é para identificar o testemunho (Rom. 11:16-24). Com o corte dos Gentios no Arrebatamento, Israel será novamente enxertada na sua posição correcta como testemunha de Deus, que as duas testemunhas aqui em Apocalipse representam. Elas darão fielmente testemunho de que Jesus é o Cristo (o Messias), o verdadeiro Filho de Deus (João 20:31).  

No dia de Pentecostes quando Pedro pregou o Evangelho do reino em associação com as manifestações miraculosas do Espírito, isso gerou resultados maravilhosos – quase três mil almas foram salvas num só dia. Uns dias depois mais duas mil almas foram acrescentadas a este número. Com o começo da Tribulação, Deus reata o programa profético no ponto onde ele foi interrompido pouco depois de Pentecostes.  

Como consequência, o testemunho e as profecias destas duas testemunhas produzirão os mesmos resultados que o ministério dos doze em Pentecostes. Nós cremos que elas serão responsáveis pela conversão dos 144.000 que a Bíblia diz que são primícias compradas para Deus (Apo. 14:1-5). Estes 144.000 são missionários Judeus que evangelizarão os perdidos para Cristo, os quais nos ajudam a compreender como é que as sete igrejas na Ásia virão à existência. Apesar de procurarmos identificar estas duas testemunhas numa outra lição, elas são enviadas de Deus no início da Tribulação de modo a que o testemunho de Deus na terra seja ininterrupto. Se alguém tentar fazer-lhes mal nos dias da sua profecia experimentará o juízo imediato de Deus (Apo. 11:5).  


OS SETE CASTIÇAIS DE OURO E O FILHO DO HOMEM  

“E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; e no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de um vestido comprido, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro” (Apo. 1:12,13).  

A palavra Grega luchnia (castiçal) deriva o seu significado da palavra Grega luchnos ou candelabro. Ambas as palavras estão intimamente associadas à iluminação ou luz. Isto lembra-nos o candelabro do tabernáculo no Velho Testamento, que tinha sete lâmpadas que iluminavam o Lugar Santo. No tabernáculo não era permitida nenhuma luz natural; apenas a luz que Deus tinha predeterminado. Portanto, o castiçal de ouro tipifica Cristo que é a Luz. “Falou-lhes pois Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12).  

Quando João se voltou, ele viu sete castiçais de ouro, que como vimos são as sete igrejas na Ásia (Apo. 1:20). Estes santos do reino tinham recebido a Luz; portanto não andavam mais em trevas. No meio das sete igrejas o apóstolo viu “um semelhante ao Filho do homem”. Ao princípio pode parecer estranho que João tenha parecido estar incerto se quem ele estava a ver seria ou não o Senhor Jesus. Mas temos de ter em mente que antes ele nunca tinha visto o Senhor desta maneira.  

João estava relacionado com o Filho do homem na Sua humanidade. Ele conhecia-O como o Jesus humilde que era misericordioso e compassivo para com todos os que vinham a Ele, Aquele que sofreu o mal às mãos dos homens: “O qual, quando O injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-Se Àquele que julga justamente (I Ped. 2:23). João nunca tinha visto o Senhor como Ele está retratado aqui no meio das sete igrejas. Era uma visão tremenda e atemorizante que deixou o apóstolo atónito. Nós devemos acrescentar que, de acordo com o Evangelho de João, o Filho do homem também é o Juiz de toda a terra. Todo o juízo futuro foi-Lhe confiado por Deus Pai (João 5:22,26,27).  

Paulo nunca usa o título “filho do homem” nas suas epístolas Gentílicas simplesmente porque como membros do Seu Corpo não conhecemos Cristo quer num quer noutro sentido. Ele tornou-se conhecido para nós como Senhor da Glória que é a Cabeça da Igreja, o Corpo de Cristo. Os que viverem no futuro dia do Senhor verão o Filho do homem vir numa labareda ardente de vingança executando juízo sobre os Seus inimigos.  

“E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de um vestido comprido, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro. E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo; e os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas” (Apo. 1:13-15).  

Deduz-se claramente aqui que o Filho do homem está de pé no meio das sete igrejas. De facto, Ele é muitas vezes descrito como estando em pé no Livro do Apocalipse (Apo. 5:6 cf. 14:1, Versão Revista e Actualizada e Versão Brasileira). Isto está de acordo com a palavra do profeta que predisse os eventos do fim dos tempos: “Levanta-Te Senhor, na Tua ira; exalta-Te por causa do furor dos meus opressores; e desperta por mim, para o juízo que ordenaste” (Sal. 7:6).  

Foi por isto que os ouvintes de Estêvão estavam tão enfurecidos quando ele viu o Filho do homem de pé à mão direita do Pai (Actos 7:56). Eles compreendiam que isto significava que Deus iria derramar a Sua ira sobre os Seus inimigos. É claro que eles não conseguiam sequer alcançar que eram eles os inimigos de Deus. Como consequência, levaram Estêvão para fora da cidade e apedrejaram-no. Contudo, em vez de derramar a Sua ira, Deus introduziu a presente era da graça, que esteve mantida secreta no passado. Este é um outro exemplo de que Deus reatará o programa profético onde o interrompeu. O Filho do homem estava de pé aquando da interrupção da profecia no apedrejamento de Estêvão, e agora é visto novamente de pé pelo Apóstolo João quando a profecia é reatada.  

O Apóstolo João descreve o Filho do homem como tendo vestido uma longa veste até aos pés. Apesar deste traje ser comum nos tempos bíblicos, João parece enfatizar que se tratava das vestes de um juiz. Era aparentemente majestoso. Em torno da Sua cintura estava um cinto de ouro. O ouro é símbolo da deidade e está aqui muito bem pois o Filho do homem também é Filho de Deus. O cinto fala de força. Era usado para segurar o vestuário em torno da cintura na preparação para a batalha. Este mesmo vestuário será salpicado com o sangue dos Seus inimigos durante a Batalha do Armagedom no fim da Grande Tribulação (Apo. 19:11-16).  

João também notou que “a Sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve,” que é uma referência à pureza. Nas Escrituras o branco é símbolo da justiça  (Apo. 19:8). Ao contrário do que acontece no mundo onde muitas vezes há abusos da lei devido à corrupção, os juízos de Deus são justos. Por isso eram “os seus olhos como chama de fogo”, perscrutando e expondo as más obras dos homens. Quem poderá erguer-se diante d’Ele naquele dia?  

O apóstolo acrescenta, “E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha”. O latão fala de juízo e o latão reluzente da sua execução precisa. Por outras palavras, o Filho do homem esmagará os Seus inimigos sob os Seus pés (Isa. 63:3,4). Finalmente, João diz, “a sua voz como a voz de muitas águas”. Quando o Filho do homem falava Ele fazia-o com autoridade e poder até ao ponto de levar a terra a tremer no futuro dia do Senhor (Apo. 16:17-19).  

A descrição do Filho do homem tecida ao longo da narrativa não deixa qualquer dúvida de que o juízo paira sobre este mundo amaldiçoado pelo pecado. Porém o crente estará seguro, mesmo que sofra o martírio às mãos do Anticristo. Isto é substanciado pela declaração de João “Ele tinha na sua destra sete estrelas”. Como notámos antes, estas sete estrelas são mensageiros ou pastores das sete assembleias (Apo. 1:20). Mesmo apesar dos santos do reino nunca terem gozado da certeza da sua salvação como nós hoje, eles estavam, todavia, eternamente seguros (João 10:27-29). Isto será também verdade relativamente aos futuros santos do reino. Ao estarem seguros na mão direita do Filho do homem os sete mensageiros são representativos desta mesma verdade.  

“E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último; e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno” (Apo. 11:17,18).  

João estava tão esmagado com o que vira que caiu aos pés do Senhor como se estivesse morto. Mas o Senhor colocou a Sua mão direita sobre o apóstolo e confortou-o com palavras familiares que ele tinha ouvido antes: “Não temas!”. Eu conquistei a morte e estou vivo para todo o sempre, e tenho as chaves da morte e do Hades. Esta é uma passagem chave no nosso estudo, como veremos a seguir.

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