10-01-08 - Brasil: Promotor que pediu separação de bebé de transexual diz que 'casal gay é anormal'
Fonte: Diário de S. Paulo/O Globo Online
SÃO PAULO - O promotor da Vara e Infância da Juventude de São José do Rio Preto, Cláudio Santos de Moraes, que fez o pedido à Justiça para que tirasse o bebé de um casal homossexual em São José do Rio Preto alegou que família gay 'foge do padrão normal'. O caso gerou comoção na cidade a 440 quilómetros da capital a ponto de, na última segunda-feira, cerca de 70 pessoas participarem de um protesto na frente do Fórum da cidade pedindo que a guarda da criança volte a ficar com a transexual Roberta Góes Luiz, de 30 anos, e o seu companheiro.
- Passei por três avaliações psicossociais que me foram favoráveis. Tenho casa própria, família estruturada - estou com o meu companheiro há seis anos - e trabalho. Mas, para o Ministério Público, isso não é "normal" e não sou apta a cuidar do nené. Isso é preconceito. Não tem outra explicação. Mas não vou desistir. Eu quero o meu filho de volta - afirma ela.
No pedido feito à Justiça, o promotor alega que o bebé não pode conviver com um casal "anormal". Segundo ele, em um processo de adoção a Justiça deve procurar a "família mais perfeita possível". Em sua argumentação, Moraes ainda afirma que o menino não levaria uma vida "normal" sem a presença de um pai e de uma mãe.
Em entrevista ao jornal Diário de S. Paulo, o promotor negou ter sido preconceituoso no pedido de retirada da guarda feito à Justiça. Segundo ele, 'se a situação foge à regra, é anormal', justifica ele:
DIÁRIO - Porque é que o senhor é contra a adopção da criança pelo casal homossexual?
CLÁUDIO SANTOS DE MORAES - Não é por discriminação. Simplesmente entendo que esta criança tem direito a ter uma família convencional, com uma mãe mulher e um pai homem. Não vejo porque colocá-la sob a guarda e adopção desse senhor transexual.
Por que o senhor considera o casal anormal?
Não é uma situação normal, não adianta dizer o contrário. Foge à regra. Dizemque estou discriminando, sendo preconceituoso. E não é isso. Quem me pode afirmar o contrário? Foge à regra e, se foge a regra, é anormal. Então, se é anormal, não vejo porque correr o risco. A criança não é um tubo de ensaio para participar de uma experiência para saber se vai dar certo.
Mas a atitude da cabeleireira não é nobre?
Eu acho que é mais capricho do que altruísmo. Sem se importar com o futuro da criança. Mas os testes psicossociais atestaram que a cabeleireira tinha condições de cuidar da criança. Cuidar de uma criança na idade em que ela está não é difícil. Qualquer pessoa consegue, basta dar atenção e carinho. Então o estudo psicossocial não tinha como relatar diferente. Acontece que há uma implicação futura.
Que implicação?
Se essa criança tem hoje a oportunidade de ter uma família convencional, uma família normal, como as outras, por que arriscar e deixá-la numa situação que pode submetê-la a vários constrangimentos?




