A Bíblia que foi cortada em duas

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     Num ponto bastante longínquo de um dos estados da América, costumava um bom homem ir por toda a parte vender Bíblias e Testamentos. Às vezes era muito bem recebido nas quintas e fazendas isoladas; outras vezes diziam-lhe que tais livros não eram ali preciosos.

     Um dia um fazendeiro perguntou-lhe se conhecia um homem que morava ali perto, e que gostava de falar contra a Bíblia, e contra aqueles que acreditavam nela. O vendedor anotou o nome da morada, e pouco tempo depois foi à casa do tal homem. Encontrou a mulher muito entretida a estender roupa, e pareceu gostar de conversar com ele. Depois de algum tempo ofereceu-lhe ele uma Bíblia bem encadernada, dizendo que podia guardá-la se gostava de a ler, e escusava de a pagar.

     Ela recebeu-a com prazer, dizendo que, se o seu marido lhe desse licença, ela ficaria muito contente de a conservar. Naquele momento, o marido que vinha da parte de trás da casa, trazendo um grande machado no ombro, vendo a Bíblia na mão da sua mulher, perguntou asperamente:

     "Para que traz isto para aqui?"

     O servo de Deus respondeu com brandura; e posto que João Mason, o fazendeiro, ficasse muito zangado, falou-lhe de um modo tão franco e ao mesmo tempo tão viril, que ele não lhe devolveu o livro, e deixou-o partir fazendo-lhe apenas uma cara muito carrancuda.

     Logo que ele voltou as costas, João tirou a Bíblia da mão da sua mulher, dizendo:

     "Até aqui temos tudo em comum, vamos repartir isto também." E abrindo a Bíblia e colocando-a sobre um cepo, cortou-a em duas partes com uma machadada. Dando uma parte à mulher, e metendo a outra na algibeira, foi-se embora.

     Alguns dias depois estava na floresta rachando lenha. Ao meio-dia assentou-se em uma acha para comer o almoço e, procurando uma faca numa das suas grandes algibeiras, a sua mão tocou no livro.

     Tirou-o, e antes de dar pelo que estava fazendo, achou-se a ler no capítulo décimo quinto do Evangelho de S. Lucas, a parábola do filho pródigo.

     "Que maravilhosa descrição!" disse ele para consigo. Leu a respeito da casa do pai; do filho que voltou as costas ao amor, à paz e à abundância daquele lar; e da ida daquele filho para um país longínquo. Mais adiante, leu de como perdeu o seu dinheiro na estroinice, chegando a ficar muito necessitado e com fome; e de como, pensando na sua casa e no seu pai, deu então o grito: "Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai," e depois — Ah!, não podia saber o que aconteceu depois, conquanto anelasse sabê-lo, porque foi justamente naquele ponto que o machado tinha cortado a história, e não pôde ler mais para adiante.

     Voltou para o trabalho mas aquelas palavras não deixavam de lhe soar aos ouvidos, e sem consciência do que dizia, murmurou: "A fortuna leve o machado; se não fosse ele, saberia agora o que aconteceu em seguida." Como se vê, lançava culpa ao machado e não a si mesmo!

     Quanto voltou para casa resolveu não deixar perceber à mulher quanto desejava que ela lhe desse a sua parte da Bíblia. Cearam, e enquanto ela estava lavando a louça, disse-lhe ele disfarçadamente:

     "Olha, se tens a tua parte da Bíblia à mão, gostaria de a ver; não tenho nada que ler."

     A sua mulher era muito sensata, de maneira que não lhe fez observações, deu-lhe a sua parte da Bíblia, e foi-se deitar cedo. João Mason leu até altas horas da noite. Na manhã seguinte, a mulher viu que ele tinha juntado as duas partes da Bíblia. Todo aquele dia e o dia seguinte, passou os seus momentos de descanso a ler. Mas com tudo isso ele não fez nenhuma observação. Na noite seguinte ele disse repentinamente: "Ó Mulher, parece-me que este é o melhor livro que eu tenho lido na minha vida."

     Passaram-se muitos dias e João continuava a ler avidamente. Afinal, uma noite colocou a Bíblia remendada sobre a mesa, e disse:

     "Estou vencido! Pela ajuda de Deus hei-de viver em conformidade com este Livro. Desprezei-o; mas agora a espada da Palavra de Deus trespassou-me até o coração. Ensinou-me quão grande pecador eu sou. Mas também me tem dado a esperança que há perdão, até mesmo para mim."

     A mulher pegou-lhe na mão, e disse: "Eu também desejo saber mais acerca de tudo isso."

     O marido sorriu para ela, como poucas vezes tinha feito, dizendo: "Tomaremos ambos este livro como guia da nossa vida de hoje em diante. E com a ajuda de Deus havemos de viver em harmonia com ele."

     "Havemos, havemos!" respondeu a mulher. "Meu João, que noite tão alegre esta!"

     "Isto é," disse ele, "e creio que será o começo de dias mais felizes para nós. Tenho lido coisas neste livro, estas três semanas, que me têm admirado muito."

     "A respeito de quê?" perguntou-lhe a mulher.

     "A respeito de tudo que o Senhor diz que fará por aqueles que O servem. Eu nunca podia acreditar que tais coisas pudessem ser para pessoas como eu, até que pareceu que Ele mesmo me estava indicando os textos que mostram tão claramente que Ele começou por perdoar os nossos pecados, e dar-nos o Senhor Jesus como nosso Salvador."

     "E pensar que achaste isso tudo no livro que cortaste em dois!" disse sua mulher.

     "Sim que vergonha para mim, eu ter feito semelhante coisa," respondeu o marido. "O primeiro dia que eu possa, hei-de ir a cavalo à cidade e mandar consertá-lo o melhor possível."

     "Não; antes quero guardar este, se não te importas. Nenhum outro podia ser para mim o que este já é; e será motivo para me humilhar quando me lembrar do que eu ousei fazer-lhe com o meu machado."

     "E eu também gostava mais de guardar este" disse a mulher. "Mas, João, quando fores à cidade, compra dois Testamentos reforçados, que possamos meter nas algibeiras, para lermos quando pudermos; tu, quando estiveres nas matas, e eu, no meu trabalho de casa."

     "Boa ideia Catarina," disse o marido. "E também hei-de trazer alguns pedaços de fita para servir de marcas. Aquela Bíblia tem pelo menos vinte páginas com os cantos dobrados, que eu marquei por ter ali encontrado versículo que eu quero estudar outra vez."

     Catarina ficou pensativa, e disse: "O homem que no-la trouxe, disse que havia de pedir ao Espírito Santo que a tornasse em bênção para nós."

     "Sim" disse o marido. "Mas eu estava muito zangado para me lembrar do que ele disse; mas estou certo que Deus respondeu à sua oração."

     Por muitos anos, as vidas de João e de Catarina Mason, e as vidas daqueles que os rodeavam, foram verdadeiramente abençoadas pelas verdades aprendidas na Bíblia cortada em duas pelo machado.

F. E. T.

 

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