A dramatização da Bíblia

Justin Johnson     A dramatização da Bíblia não é nada novo, e eu nunca a vi acabar em bem. As mais recentes incursões de dramatização da Bíblia em filmes e na televisão não são diferentes.

     A dramatização da Bíblia expõe milhões de pessoas à Bíblia que não teriam sido expostos de outra forma, não é?

     Existem muitos problemas identificados com a dramatização da Bíblia, mas estão todos perdidos no meio da propaganda Cristã e histeria criados com o ouvir o nome de Jesus falado por celebridades, publicações populares e media.

     Se a dramatização da Bíblia é boa ou má depende de como ela evita esses problemas. Caso contrário, aquilo a que as pessoas estão a ser expostas é uma mistura de verdade e ficção: o que a Bíblia define como mentira.

Demasiada informação

     Em primeiro lugar, as dramatizações bíblicas inevitavelmente adicionam ou removem conteúdo à Bíblia. Isso deve causar preocupação para qualquer pessoa familiarizada com as advertências para não se acrescentar ou tirar do livro de Deus (Deuteronómio 4:2; Pv 30:6; Ap 22:18-19).


Informação não é suficiente

     Já viu um filme ou drama, e se interrogou sobre razão da sua parábola favorita, ou evento, ou versículo, ou citação da Bíblia estar a faltar? A simples leitura da Bíblia não se alinha com a estrutura dramática. A dramatização requer que o conteúdo da Bíblia seja removido para se ajustar a determinada parcela, clímax e desenlace.

     Um bom exemplo é a recente série de televisão dramática A.D.. Sermões longos preenchem o livro de Atos com informações doutrinais importantes. Nenhum desses sermões aparece na dramatização. Porquê?

     Como seria um deleite assistir a 40 minutos dos longos sermões sobre a história judaica, o Messias prometido, argumentos teológicos, e apresentações do Evangelho? A exibição seria mais semelhante a uma aula do que a uma ação dramatizada exaltada.


Não está entretido?

     A razão das dramatizações usarem a estrutura dramática convencional é porque isso torna a história mais interessante e emocionante. É por isso que os filmes são sempre feitos sobre as partes mais emocionantes da Bíblia: o Êxodo, os milagres de Jesus, Apocalipse, etc.

     Esta é uma das motivações mais populares por detrás da produção das dramatizações. Os produtores pensam que isso torna a Bíblia mais excitante para apelar ao descrente e atraí-lo.

     Os produtores de A.D. disseram que o seu desejo é que a sua série seja a versão Cristã do jogo popular (e lascivo) Game of Thrones (Jogo dos Tronos). Porque é que Jogo dos Tronos há-de ser padrão de ministério Cristão? Resposta: entretém milhões. Algo está errado com o nosso método e padrão de ministério.

     O conteúdo da Bíblia não é entretenimento; é verdade inspirada. O entretenimento produz a satisfação dos homens; a verdade produz entendimento de Deus.


Drama como Ficção

     A dramatização da verdade transforma-a numa obra de ficção. O mundo fica feliz ao obrigar a mudar a verdade da Bíblia em algo meramente para o nosso prazer visual. Eles sabem que há uma diferença entre o que nos diverte, e o que é verdadeiro. Esta é uma das razões porque há tantos homens não salvos a dirigir, a atuar e a produzir dramatizações bíblicas nos dias de hoje.

     A ação que empacota histórias de heróis sobrenaturais (como os das histórias aos quadradinhos) desfrutam de grande sucesso financeiro.

     Quando os Cristãos vendem a Bíblia como um livro de banda desenhada, Jesus é recebido com agrado no panteão dos antigos heróis míticos. Todo mundo sabe que os dramas são obras de arte, interpretação, narração e ficção. A Bíblia não é isso, mas talvez muitos Cristãos confessos não saibam a diferença.

     A Bíblia não pertence a esses parceiros, nem deve ser retratada como tal.


Um meio ineficaz

     A motivação dos que produzem, comercializam, e vendem dramatizações da Bíblia é apresentar o Evangelho ao maior número de pessoas possível no meio mais eficaz possível. O fim não justifica os meios, especialmente quando o meio nos conduz a um fim diferente.

     A pregação do Evangelho é vista como um método tolo pelos fornecedores modernos de comunicação visual e psicologia cultural. Eles dizem que as pessoas não leem livros nem ouvem mais sermões. Dizem que elas veem televisão, vídeos online, e filmes.

     Embora isso possa ser verdade, sempre foi verdade e as pessoas sempre gostaram mais de dramatizações do que da pregação. É por isso que Paulo também diz que a pregação era vista como loucura no primeiro século, porém é o meio de ministério que agrada a Deus (1 Coríntios 1:21).


Licença artística e interpretação privada 

     Quando as dramatizações são sobre Jesus, há sempre um grande ruído sobre quem desempenha o papel de Jesus. Milhões reclamam colocar a sua fé em Jesus, e as pessoas poderão vê-Lo no drama, mas aquele não é o verdadeiro Jesus, é apenas um ator, ... certo?

     Não é raro procurarem atores que deem um "ar" espiritual, e as pessoas atribuírem aos atores força espiritual, pois Satanás decerto o combaterá (como combateu Jesus?).

     Embora possa parecer uma motivação honesta ajudar as pessoas a crer, no que é que os espectadores devem crer? Devem confiar nos diretores da representação da Bíblia? Devem confiar nos atores que interpretam Cristo? Devem colocar a sua fé na capacidade argumentista para capturar a essência da tradição Cristã?

     Sem a Bíblia para corrigir todos os erros, e as palavras para explicar no que devem acreditar, as dramatizações vendem interpretação privada e licença artística, sob o pretexto de tentar ver almas salvas.

     A triste verdade sobre as dramatizações é que elas produzem pessoas de fé cuja fé não está na Bíblia, e num ângulo de argumento cinéfilo e de câmara. Muitas pessoas não vão crer numa coisa a menos que a vejam. As dramatizações ignoram a necessidade de se crer sem ver. Ignoram a necessidade do Evangelho.

     É verdade que os Cristãos que creem na Bíblia podem comparar o filme com a Bíblia e aprender a verdade, mas eles não precisam do drama para isso, e o público-alvo não devem ser os descrentes?


A falta do Evangelho

     Talvez que um dos maiores problemas com as dramatizações seja a diminuição, o encobrimento, ou a remoção completa do Evangelho de Cristo para a salvação. Produtores (salvos ou não) têm pouca preocupação com a pregação do Evangelho, e assim evitam as epístolas de Paulo, como muitos pregadores.

     Muitas são as dramatizações sobre Jesus, o Seu ministério, os Seus milagres, e alguns incluem até mesmo a Sua ressurreição, mas onde está o Evangelho pregado? Não há dúvida que os produtores tentam explicar a origem da sua tradição, mas não têm a mínima noção de que a salvação é totalmente explicada nas epístolas escritas por Paulo.

     A observação dos eventos do ministério de Jesus a Israel não é a pregação do Evangelho. A paixão por um Jesus de cabelos compridos e de olhos azuis com um sotaque britânico não é ouvir a verdade que salva, nem é o Jesus da Bíblia. Contrariamente à crença popular, o Evangelho não pode ser visto, tem de ser ouvido com palavras (Ef 1:13; 2 Coríntios 5: 7; Rm 10:17).

     Se há uma coisa que as dramatizações evitam são os oito capítulos de pregação teológica (Rm 1-8). O que eles também evitam é ver almas genuinamente salvas.


A Bíblia é suficiente

     Mais pode ser dito sobre muitos mais problemas, e espero que possa ser percebido que isto não é uma polémica contra todas as dramatizações, mas sobre a dramatização da Bíblia.

     Quando obras de arte e ficção são dramatizadas, as melhorias são apreciadas e as alterações não fazem grande diferença. No entanto, a Bíblia é um livro que é completamente diferente. É um livro não sujeito a mudanças, e que não pode ser melhorado.

     A raiz subjacente a todos estes problemas com a dramatização da Bíblia é a falsa noção de que a Bíblia não é suficiente, ou não basta.

     Quando a igreja voltar a crer novamente na inspiração, preservação, inerrância e suficiência total das palavras de Deus, então qualquer tentativa de as alterar encontrará resistência, mesmo que isso signifique perda de bilheteira. 

Justin Johnson
 
 
 

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