Nós podemos confiar na Bíblia?

Bruce Woolard

 

     Nos últimos anos, a autoridade da Bíblia tem estado sob ataque. Isso não é surpreendente. Uma nova filosofia que permeia a sociedade procura promover ideias humanistas sobre a origem da humanidade e a existência de Deus. Livros como O Código DaVinci, O Evangelho de Judas, O Túmulo Perdido de Jesus, incluindo A Desilusão de Deus, são projetados para minar o facto histórico de que a Bíblia é autêntica e de inspiração Divina. Infelizmente, muitos dos chamados leitores ávidos, que deveriam ser mais circunspectos e mais sábios do que o leitor casual médio, agora estão expelindo o que leram nesses falsos escritos obtidos da era dos místicos gnósticos.

 

DE-GENERAÇÃO DA SOCIEDADE

     Cada vez mais pessoas estão a descartar a Bíblia como se fosse meramente um livro de fábulas e mitos. Isso, sem dúvida, impactará em como o homem moderno vê o seu valor e importância num mundo em mudança. Afinal, se não há Deus, por que devemos ser responsáveis por viver uma vida moralmente correta. Se somos uma espécie evoluída que veio de lodo, porque havemos de ter uma consciência sobre o que é certo ou errado? Quando se remove a realidade da existência de Deus, esta é substituída por uma mentalidade que causa a degeneração da sociedade.

 

TORCENDO A VERDADE E SEMEANDO A SEMENTE DO ERRO

     A partir da primeira menção de Lúcifer, nos capítulos iniciais do livro de Génesis, ele é descrito como um enganador que subtilmente mina a Verdade de Deus e semeia a semente da dúvida sobre a Palavra de Deus - Génesis 3. Com este contexto histórico do Jardim do Éden, Satanás desliza pelos livros de história da humanidade, expelindo veneno e palavras envenenadas de motivos doentios. Ele começa a torcer a Palavra de Deus - "É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?" Génesis 3: 1. "Certamente não morrereis" Génesis 3:4. "Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal" Génesis 3: 5. Satanás usa meias verdades para minar a Verdade. Ele mistura verdade com erro e quebra a resolução da humanidade. Esta estratégia, usada pelos espíritos malignos, não mudou. Lembramo-nos em Efésios 6 que a batalha da fé cristã é uma luta contra as astutas ciladas do diabo e contra os poderes das trevas. Somos encorajados a revestirmo-nos de toda a armadura de Deus - Efésios 6:10-17. Portanto, não devemos nos surpreender que a fé cristã esteja sob cerco nos tempos modernos.

 

A TRAMA ENGROSSA

     O registo das Escrituras revela que o Senhor Jesus Cristo tinha inimigos que tinham agendas religiosas e políticas. As autoridades judaicas e os líderes religiosos foram ameaçados pelo Seu conhecimento. As autoridades romanas foram desafiadas pela Sua influência sobre as multidões. Muitos escritos no primeiro século AD foram distribuídos. Esses escritos procuraram minar a Verdade e a identidade do Senhor Jesus Cristo. Os escritos gnósticos do século 1 e 2 foram rejeitados pela igreja cristã primitiva por serem inconsistentes com a Verdade revelada do Novo Testamento. O Antigo Testamento tinha sido aceite como autêntico através dos séculos da história judaica. O próprio Senhor Jesus Cristo credenciou o Antigo Testamento como sendo autoritário - Mateus 22:29. Após a morte e ressurreição do Senhor Jesus Cristo, muitas versões de quem era Cristo foram distribuídas entre as pessoas. Essas testemunhas não confiáveis foram rejeitadas pelos seguidores de Cristo. Emergindo da igreja primitiva vieram os escritos dos apóstolos que constituíram o fundamento da Verdade sobre a qual agora construímos. Paulo diz: "Toda a Escritura é inspirada ou soprada por Deus " 2 Timóteo 3:16. Os Apóstolos escreveram muitas cartas que não foram consideradas sopradas por Deus ao tratarem de questões gerais de preocupação, no entanto, os 27 livros do Novo Testamento foram aceites pela igreja primitiva como a cana medidora ou o cânone. Lembre-se que João escreveu que "… se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem". João 21:25. Isso simplesmente significa que nem tudo escrito sobre Jesus foi destinado a formar os fundamentos da fé. Não especulamos sobre o que não está escrito na Sagrada Escritura, mas sim sobre o que está escrito.

 

MANUSCRITOS DE ANTIOQUIA

     Nos primeiros séculos AD, muitas cópias dos originais do Novo Testamento grego estavam disponíveis. Não havia impressão e as cópias eram escritas à mão. Essas cópias tiradas dos originais foram distribuídas entre os crentes. Elas tornaram-se conhecidas como Manuscritos de Antioquia. Mais tarde, foram chamadas de Textus Receptus, que significa o texto recebido. Muitos judeus que falavam as línguas nativas dos países em que residiam receberam essas cópias em línguas que poderiam entender. Atos 2:5-11 indica que no dia de Pentecostes havia muitas pessoas que nasceram judeus ou eram prosélitas. Tertuliano, que viveu no século II, falou dos autógrafos dos Apóstolos como existentes no seu tempo (isso é importante porque temos um registo histórico de que os escritos do Novo Testamento já estavam em circulação e eram aceites como autênticos mais de 200 anos antes de Constantino. Ele também fez referência aos escritos autênticos dos Apóstolos que eram preeminentes entre os líderes do seu tempo.

 

MANUSCRITOS ALEXANDRINOS

     No século III AD, um homem chamado Orígenes, líder de um grupo de professores na escola de Philo, localizada em Alexandria, no Egito, abraçou as versões gnósticas e registos falsos. Ele misturou as Escrituras com misticismo (conceitos pagãos babilónios do mundo espiritual). Depois que Constantino se tornou imperador de Roma, ele esforçou-se por formar uma união entre o cristianismo e o paganismo. Constantino encomendou a Eusébio, que era um grande admirador de Orígenes, que preparasse 50 Bíblias baseadas nos manuscritos Alexandrinos de Orígenes. Estes deveriam ser usados na igreja romana. O conselho de Niceia (385AD) aprovou os 66 livros da Bíblia, a saber, o Antigo Testamento e o Novo Testamento. Eusébio declarou que Constantino e Cristo reinariam juntos durante a eternidade. É importante notar que o Conselho de Niceia não compilou a Bíblia, mas aprovou a Bíblia. Jerónimo no século 4 compilou uma nova tradução da Bíblia em latim a partir dos textos de Alexandria. Ele chamou-a de Vulgata latina. Esta tornou-se na Bíblia oficial da Igreja Católica Romana pelo decreto feito no Concílio de Trento em 1546 e incluiu os Apócrifos (livros adicionais que não eram aceites como autênticos pelo judaísmo).

 

IDADE DAS TREVAS

     A igreja romana tornou-se num corpo eclesiástico oficial dirigido pelo Estado. Isso mergulhou a humanidade no que se tornou conhecido como a idade das trevas seguida pela Inquisição. Alguns chamaram a esse período do reinado milenar de Satanás (um livro excelente para ler com base nesse período é o Livro dos Mártires de Fox escrito por John Fox). No século XV, a reforma começou quando a Palavra de Deus começou a ser traduzida para a língua do povo. A Bíblia como a conhecemos hoje era um livro proibido. Possuir uma Bíblia era punível com a morte. Em seguida, veio a imprensa e a versão autorizada da versão King James autorizada pelo rei Tiago, o rei da Inglaterra e da Escócia. Ele era o filho de Mary Queen of Scots. Nos 300 anos seguintes, a Bíblia KJV tornou-se na versão oficial abraçada e apreciada pelas nações de língua inglesa do ocidente. O mesmo aconteceu no mundo de língua portuguesa com a Versão de João Ferreira de Almeida, Revista e Corrigida, ou Fiel. Este período na história humana deu origem à grande missão que se esforça por alcançar os pagãos em todos os continentes do mundo. O diabo ficou exasperado, e a sua antiga estratégia de minar a Palavra de Deus começou a ressurgir. Então, o que fez o diabo? Ele veio com um plano. Brooke Westcott e Fenton Hort em 1850 serviram em um comité que formulou uma nova série de versões bíblicas baseadas nos corruptos manuscritos alexandrinos. Naquele tempo, um homem chamado Charles Darwin publicou o seu livro "A origem das espécies". Ao mundo estava a ser oferecida "uma nova ciência" e através da influência de Westcott e Hort uma nova Bíblia. 1 Timóteo 6:20-21 adverte os crentes dos murmúrios profanos da filosofia da falsa ciência de homens que desencaminha as pessoas. É muito interessante que a proliferação de fações e seitas como o Movimento Ciência Cristã, Testemunhas de Jeová, Adventistas do Sétimo Dia e Mormonismo surgiu durante a mesma era. Com as novas versões de Westcott e Hort, a versão do Textus Receptus foi marginalizada e a linha de manuscritos de Alexandria, que eram corrompidos, foi usada para as traduções modernas. Um exemplo do motivo subtil dessas novas versões foi diluir ou desfazer a Verdade contida na Bíblia KJV. Eu uso apenas um exemplo, e acredite, existem muitos. Em 1 João 5: 7, lemos "Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um". Este versículo é encontrado na versão KJV e Textus Receptus mas é misteriosamente excluído de versões modernas que derivam dos falsos manuscritos alexandrinos.

     Assim, quando tiver na mão uma nova versão bíblica e precisar de tomar uma decisão se a há-se comprar, procure 1 João 5: 7. Se esta versão exclui as palavras "Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um", trata-se de uma versão não confiável tirada dos falsos manuscritos de Alexandria. A versão de New Kings James (NKJV) é uma tradução moderna e manteve-se fiel aos manuscritos Textus Receptus ou de Antioquia do século I e II. Para aqueles que têm dificuldade com os "thees and thous" da KJV, recomenda-se o NKJV, porque usa o inglês moderno e ainda permanece fiel e consistente com os textos de Antioquia.

 

CONCLUSÃO

     A resposta à questão: "Podemos confiar na nossa Bíblia?" Podemos, com toda a certeza. A Palavra de Deus foi preservada para a nossa geração e agradecemos a Deus por homens e mulheres fiéis que deram as suas vidas, como mártires, para que possamos ter uma Bíblia confiável e autêntica. Salmo 12:7 "Tu os guardarás, Senhor; desta geração os livrarás para sempre”.

- Bruce Woolard

Sermões e Estudos

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Calvinismo

Sermão proferido por Peter Cerqueira em 19 de novembro de 2017

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Sobre a Epístola aos Colossenses 1:16, realizado em 08 de novembro de 2017

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