Max Lucado - O Evangelho em simplicidade

Já se disse – e é verdade – que a unanimidade é perigosa. Por isso mesmo, dizer que todo mundo gosta do escritor americano Max Lucado pode ser arriscado. Mas, com certeza, é algo bem próximo da realidade. Autor consagrado por mais de 60 livros que venderam algo perto de 50 milhões de exemplares em todo o mundo, ele é um fenómeno das letras cristãs.

A abrangência da sua obra pode ser avaliada pela diversidade dos temas que aborda. Derrubando Golias, Ele escolheu os cravos, Seguro nos braços do Pai, Nas garras da graça e Simplesmente como Jesus são alguns títulos que demonstram o seu ecletismo. Lucado, mestre dos textos devocionais e inspirativos, começou a escrever em 1985, quando morava no Rio de Janeiro. Aliás, o período em que viveu no Brasil é descrito por ele como um tempo de carinhosas lembranças. “Tenho um amor especial pelo Brasil”, derrete-se. “O brasileiro é o melhor povo do mundo.”

Pastor por chamada divina e escritor por vocação que garante ter recebido também de Deus, Max Lucado é tido nos Estados Unidos como uma referência cristã que transcende os muros da Igreja. O seu trabalho é enaltecido por publicações seculares como o New York Times e o USA Today. Mesmo assim, ele não é condescendente com a actual situação do seu país. “Os Estados Unidos não são mais uma nação cristã, porque o cristianismo não influencia mais as suas decisões”, critica. Casado com Denalyn e pai de três filhas, Lucado vive em San Antonio, no Texas, onde até recentemente pastoreava a Oak Hills Church. Afastou-se do púlpito para dedicar-se mais à carreira de escritor – embora, evidentemente, as duas funções lhe caibam como uma luva. Por telefone, Max Lucado concedeu a seguinte entrevista exclusiva à primeira edição de CRISTIANISMO HOJE:

CRISTIANISMO HOJE – A passagem de João 3.16, também chamado de “texto áureo” da Bíblia, é certamente a mais lida e pregada da Escritura. Porque é que o escolheu como base do seu novo livro?

MAX LUCADO
– Sou pastor, e todos os meus livros são para a Igreja – ou seja, eu faço-os pensando na Igreja, e ela necessita de saber que estamos numa época em que precisamos de estudar um Evangelho simples. E como fazer isso? Explicando tudo numa frase bem simples, expressando opiniões mais simples ainda. Então, considero o texto de João 3.16 como uma passagem ideal. O curioso é que a primeira vez em que pensei neste livro foi em 1998, quando ouvi uma música da cantora Jacy Velasquez baseada justamente na passagem de João 3.16. Aí, uma pessoa deu-me a ideia de escrever um livro baseado também naquele texto. Bem, passados estes anos, aí está o livro.

Porque é que o dia 11 de Setembro, data tão emblemática para a humanidade, foi escolhida para o lançamento mundial de um livro que fala justamente da antítese do ódio?

Há uma maneira de comparar 9/11 com João 3.16 – e é precisamente a contraposição do medo contra a esperança.

Na sua opinião, o que mudou na Igreja após aquele episódio? Ela também perdeu um pouco da sua esperança? E agora, passados seis anos dos atentados, como é que os cristãos americanos lidam com a questão?

Infelizmente, nada mudou desde então. Eu lembro-me de que nos primeiros dias após o atentado, todas as igrejas estavam cheias. Só que o tempo passou e as pessoas não permaneceram naquela busca pelo Senhor. Agora, está tudo normal. Infelizmente, o Cristianismo não influencia os Estados Unidos. Aliás, os Estados Unidos não são um país cristão, mas um país que tem cristãos. Um país cristão glorifica a Cristo nas suas decisões e os Estados Unidos não estão a fazer isso. Eu acho que os Estados Unidos não estão a crer no Senhor como a Coreia do Sul, o Brasil ou a China.

Qual sua expectativa quanto ao efeito de João 3.16 sobre os leitores?

Eu tenho duas expectativas. Uma delas é a de alcançar as pessoas que não são discípulos de Cristo – para isso, quis apresentar-lhes um livro que explicasse o Evangelho de forma simples. A outra é edificar os cristãos, fazendo-os entender o Evangelho. Eu quis descomplicar as coisas importantes da Palavra de Deus.

Mas o livro tem alguns capítulos que abordam temas bem complicados, como a existência do céu e do inferno. Algumas modernas interpretações da Bíblia têm procurado relativizar essa doutrina, sugerindo que um Deus tão amoroso jamais lançaria pessoas no inferno, e que este termo, na realidade, significaria apenas “sepultura”. Considera que as referências ao céu e ao inferno, na Palavra, são literais e referem-se mesmo a estados eternos a que serão destinadas todas as pessoas?

Eu procurei achar todas as possibilidades e caminhos para concordar com as pessoas que dizem que não existe literalmente o inferno. Mas, simplesmente, não concordo com isso. As Escrituras descrevem uma punição eterna com a mesma convicção que falam sobre a existência do céu. Eu estou convencido de que o inferno existe de facto – e é o destino eterno das pessoas que passam a vida inteira a dizer para Deus as deixarem a sós. Pois no final, é exactamente isso que Ele irá fazer.

Desde o lançamento de O maior vendedor do mundo, de Og Mandino, os temas motivacionais e princípios da auto-ajuda ensejaram o surgimento de um dos principais géneros literários da actualidade. Qual a sua opinião acerca deste tipo de literatura?

A auto ajuda é uma boa ideia – mas uma mão limpa não pode ajudar a limpar uma suja. Logo, os princípios da auto-ajuda não são suficientes para o ser humano. Por isso, temos que buscar ajuda de outro lugar. Precisamos ter ajuda de Deus. É por isso que eu prefiro a Cristo-ajuda ...

Mas esses temas também têm influenciado fortemente a literatura evangélica. Como conciliar, então, os princípios da auto-ajuda, que visam ensinar as pessoas a resolver seus problemas, com a fé cristã, que enfatiza a dependência irrestrita de Deus?

Bem, todo mundo precisa de encorajamento – e, por isso, todo mundo precisa realmente da mensagem de Cristo sobre a cruz e a ressurreição. No entanto, não podemos sacrificar o Evangelho. Só encorajar não é suficiente. Temos que tratar o pecado, explicando a sua natureza e mostrando o Salvador, mas não abrindo mão do Evangelho.

O que sabe da aceitação dos seus livros no Brasil?

Fico feliz porque sempre recebo muitas cartas de brasileiros, que fazem questão de me encorajar e incentivar.

Que lembranças guarda do período em que viveu no Brasil?

Tenho um amor especial pelo Brasil! É o melhor povo do mundo. Os brasileiros ensinaram-me muito sobre relacionamento. Na juventude, eu passei um Verão no Brasil como estudante universitário. Então, acabei por me apaixonar pelo país, e desde então sabia que o Brasil era onde eu queria morar. Eu tenho três filhas, tendo duas nascidas no Brasil; logo, eu e a minha família temos raízes profundas com este país. Eu ainda tenho muito amigos no Brasil, especialmente nas cidades do Rio de Janeiro, Natal, Recife e São Paulo. Eu também tenho lembranças de Porto Alegre e Curitiba. Foi um privilégio viver aqueles anos no Brasil.

E pensa em voltar a residir no Brasil?

Não. Mas gostaria de uma nova estadia prolongada.

A publicação do documento Respostas a questões relativas a alguns aspectos da doutrina sobre a Igreja, no qual o Vaticano arvora para o catolicismo a condição de “única Igreja de Cristo”, foi um duro golpe no processo de aproximação da Igreja Católica das demais correntes cristãs. Como escritor que também é maciçamente lido por católicos, o que o senhor pensa acerca deste afrontamento?

Eu acho que ser cristão é ser uma pessoa cujo Deus é o Senhor e que tem a Jesus Cristo como único Salvador. Ora, não podemos ser salvos sem Cristo! Eu não acho que todos os caminhos levam a Deus.

No seu livro Dias melhores virão, defende a crença no facto de que o Senhor sempre está no controlo da situação – mesmo em casos de extremo infortúnio, como a doença e a morte, tema também presente em Aliviando a bagagem, Ele ainda remove pedras e diversas outras obras suas. Mesmo para o cristão, manter a fé diante do mundo de hoje não está cada vez mais difícil?

Sim, está. Eu acho que é muito difícil ser cristão. Principalmente, nos Estados Unidos, onde o secularismo é uma religião – ou seja, só se acredita vendo. Por causa disso, as pessoas não oram, pois só acreditam no que vêem. O que eu gosto no Brasil é que os brasileiros acreditam que existe um mundo espiritual, crêem na existência de anjos etc.

Na sua opinião, o cristão tem uma percepção correcta do sofrimento e do seu significado?

É muito necessário entendermos o propósito do sofrimento. Ele é a ferramenta usada por Deus para tratar o carácter humano. A Bíblia diz que o sofrimento prepara-nos para sermos fortes; ele prepara-nos para a vida eterna. E é fundamental ressaltar que a Palavra de Deus não nos revela que não teríamos sofrimentos – mas afirma que Cristo nos fortaleceria nestes momentos.

A teologia da prosperidade, de matriz americana, influenciou fortemente a Igreja Evangélica brasileira. Um dos seus pressupostos básicos é justamente a eliminação do sofrimento nesta vida. Mas percebe-se que hoje tem havido um certo “cansaço”, sobretudo em relação a promessas dos líderes que não se concretizam na vida dos fiéis. O que pensa da confissão positiva?

Eu não acho bom dizer às pessoas que, quando elas se tornarem cristãs, vão ter coisas materiais. E tenho problemas com aqueles que dizem que, quando o indivíduo se converte, vai ganhar dinheiro, não vai ter doenças... Mas a promessa de Cristo é a de nos fortalecer no meio dos problemas, e não, que não vamos tê-los.

O que mudou no Max Lucado escritor desde o lançamento do seu primeiro livro?

O que mudou (risos)? Hoje em dia, eu tenho mais dead line (Trata-se de expressão utilizada no segmento editorial e se refere aos prazos para encerranento de textos e entrega de originais). Agora, eu trabalho muito mais no computador do que antes. Eu escrevi os meus primeiros livros na época em que morava no Rio de Janeiro. Naquele tempo, eu escrevia-os entre as dez e meia da noite e meia-noite... Só que agora, uso o meu tempo integral para escrever.

Agora, uma pergunta inevitável: qual o segredo do sucesso dos seus livros?

Olhe, eu não sei o porquê dos meus livros serem bem recebidos. Simplesmente, não tenho explicação para isso. Eu apenas gosto de escrever para pessoas que não gostam de ler, pois sou uma pessoa bem simples.

Porque é que resolveu aposentar-se do pastorado da Oak Hills Church, congregação onde exerceu o ministério desde 1987?

Na verdade, não estou a aposentar-me. Só estou a mudar de cargo, já que vou ficar a trabalhar como professor da Bíblia. Acontece que conciliar o ofício de escritor com o cargo de pastor principal é demais. Só estou simplificando as coisas...

Em João 3.16, Deus apresenta o Seu amor infinito ao homem. Como tem vivido este amor na sua vida?

O amor de Deus é a coisa mais importante da minha vida. Eu lutei muito com o Senhor nos primeiros dias da minha conversão. Era alcoólatra e achei que Deus poderia perdoar-me; e aí, finalmente, comecei a acreditar nesse amor divino e efectivamente cri que Deus pode perdoar-nos.

Em recente entrevista a uma revista americana, abordou essa sua relação com o álcool – tema considerado tabu no segmento evangélico, que consideram o seu consumo como pecado. Porque é que resolveu tocar no assunto?

O abuso do álcool é parte da minha história, pois envolvi-me cedo com a bebida. Mas, graças a Deus, beber excessivamente não é mais uma tentação para mim.

Logo, Deus é o Deus da segunda oportunidade?

E da terceira, da quarta...


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