Irresponsabilidade de homens e mulheres - ou a senda para tragédias já vistas

Carlos M. Oliveira

      “Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos” (1 Cor. 14:33). 


Enquadramento
 
     A ordem, ou ausência de confusão, é resultante de ação governativa, ou exercício de autoridade. Imaginemos a confusão que existiria na nossa sociedade se não houvesse ação governativa e, portanto, o exercício da autoridade.
 
     É assim na deidade – vemos em Deus o exercício perfeito da autoridade, da ação governativa. É admirável como o Filho foi em tudo sujeito ao Pai apesar de ambos serem igualmente Deus. Não poderíamos encontrar melhor exemplo de como sujeição não significa inferioridade e autoridade não significa superioridade. Portanto, quando as Escrituras falam de exercício de autoridade o que está em causa não é nada pessoal, mas posicional. A harmonia existente na deidade resulta da existência de autoridade com amor e de sujeição voluntária.
 
     Nenhuma Pessoa da deidade funciona independente das outras, nem por razões egoístas (João 5:19; 16:13). O Pai ama o Filho (Mat. 3:17) e o Filho submete-Se voluntariamente à vontade do Pai (Mat. 26.39; Fil. 2:5-8; Heb. 10:7). O Espírito Santo é voluntariamente submisso tanto ao Pai como ao Filho (Atos 2:33).
 
     Deus também estabeleceu uma ordem de autoridade no mundo angélico (Judas 9). E quando olhamos para o segundo céu vemos que Deus, também ali, estabeleceu uma ordem de autoridade ou governo. No quarto dia da criação Deus criou dois grandes luminares e também as estrelas (Gén. 1:16). Criou o luminar maior, o sol, para governar o dia, e o luminar menor, a lua, para governar a noite. Estes dois luminares dão-nos uma perfeita ilustração da perfeita ordem do governo de Deus. O poder está todo residente no sol. Na sua ausência a lua, não tendo nenhum poder em si, reflete simplesmente a luz do sol, e assim governa a noite (Mat. 24:29).
 

Aplicação
 
     É assim que a ação governativa de Deus é exercida nos vários domínios, incluindo a igreja. Como Todo-poderoso Ele delega a Sua autoridade a outros, que por sua vez governam por Ele na Sua ausência.
 
     Nas Escrituras vemos que Deus quer precisamente este princípio de exercício da autoridade com amor e de sujeição voluntária exercido entre marido e esposa (Efé. 5:25,22), entre pais e filhos (Efé. 6:4,1), entre homens e mulheres, na igreja (1 Cor. 14:34; 1 Tim. 2:10-14).
 
 
Uma história de aviso e alerta
 
     A história da Bíblia é a história da recusa do homem em sujeitar-se à autoridade com amor da parte de Deus, à sua subsequente escravização ao implacável governo desamorável do pecado e de Satanás, e à graciosa restauração do homem por Deus, ficando aquele uma vez de novo sob a Sua autoridade de amor.
 
     No jardim do Éden, Deus atribuiu a Adão o lugar de autoridade e a Eva o lugar de sujeição e apoio (1 Tim. 2:12,13; Gén. 2:18). Sabemos que o ataque de Satanás visou Eva, consistindo em colocar-lhe em dúvida a Palavra de Deus, concretamente a vontade de Deus expressa para ela (Gén. 2:17; 3:1,4,5). Satanás tentou-a, levando-a a liderar e ela violou a ordem do governo de Deus ao tomar a liderança. Ela usurpou a autoridade atribuída ao homem (1 Tim. 2:12,13). O resultado foi o descalabro, a confusão. 
 
     Eva respondeu à questão de Satanás citando mal a Palavra de Deus (1 Cor. 14:35; 1 Tim. 2:12). Ela acrescentou, “nem nele tocareis” (Gén. 3:3; comp. 2:17). Ela tornou o mandamento de Deus mais restritivo do que era. Esta é uma das razões porque Deus não quer que a mulher ensine. Foi uma mulher que introduziu o fermento nas "três medidas de farinha, até que tudo levedou" (Lc 13:21) - tipo da introdução de princípios corruptos, que permeiam a doutrina (Mt 13:33; 16:12). Já escrevemos noutros escritos que mulheres têm estado por detrás da origem de seitas e corrução da doutrina.
 
     Satanás usou este erro para pôr em causa a autoridade de amor da parte de Deus. Ele mente e diz, “Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gén. 3:4,5). 
 
     Na sua essência a mensagem que ele faz passar é esta: “A autoridade de Deus não é de amor, mas restritiva e egoísta! Ele não tem o teu interesse em vista. Está a prejudicar-te. Ele quer prejudicar-te.” 
 
     Satanás minou a confiança de Eva em Deus. Ele apelou ao orgulho e sentimentos dela na esperança de que ela se deixasse guiar por eles, e não pelo conhecimento da vontade de Deus. Ele ainda faz isso hoje; ele está a fazer isso hoje mais do que nunca.
 
     A mulher deixou-se conduzir pelo seu ego e emoções e não pela Palavra de Deus, e a seguir dá o fruto da árvore a Adão. Todavia ele não é enganado. Adão sabe o que Deus tinha dito e o que aconteceria se houvesse desobediência, porém a sua falha em liderar, a sua falha em assumir a sua responsabilidade de autoridade, levou-o a ter de fazer uma escolha. Ele teve de escolher entre a vontade de Deus e a sua própria vontade – ficar separado de Deus, ou ficar separado da sua mulher. 
 
     A vontade de Deus governaria a sua vontade, ou governariam os seus desejos pela sua mulher? Adão lideraria ou seria liderado? 
 
     O seu fracasso em assumir a liderança permitiu que Satanás manipulasse a situação até ao ponto de ele ter de escolher entre Deus e a mulher. Apesar de ter uma compreensão clara da vontade de Deus, Adão escolheu deliberadamente a sua mulher, e seguiu a liderança de Eva. 
 
     Adão também se deixou conduzir pela sua própria vontade, desejos e sentidos, em vez de se deixar guiar pelo conhecimento de Deus e da Sua vontade. A confusão e o caos atingiu também assim o cabeça da criação. Também ele se rebelou contra a ordem da autoridade de Deus! Também ele recusou sujeitar-se à autoridade de amor de Deus!
 
     Num primeiro relance pareceria que a mulher seria a culpada da queda do primeiro homem, e por conseguinte da humanidade. 
 
     Apesar de Eva ter falhado em submeter-se voluntariamente à ordem de governo de Deus para a humanidade, o que acabou por a conduzir à transgressão e ao pecado do primeiro homem, ela não é responsável pela queda de Adão. 
 
     O responsável é ele próprio. Deus deu-lhe autoridade para liderar e ele não liderou. Ele estava em posição de autoridade em relação à mulher, e ele permitiu que Eva usurpasse a sua autoridade e tomasse a liderança. Depois de falhar no que concernia à liderança, ele optou por seguir a liderança da mulher, em vez da vontade de Deus. 
 
     Adão tentou culpabilizar a mulher que Deus lhe dera, porém Deus declara claramente que Adão falhou quando deu ouvidos à voz da sua mulher (Gén. 3:12,17). O homem falhou em liderar a mulher, e depois escolheu seguir a sua liderança. Foi o fracasso de Adão que acabou por provocar a sua queda, e a queda da humanidade (Rom. 5:12). 
 
 
Uma história que se repete
 
     Mas o fracasso do homem em liderar com amor, e o fracasso da mulher em sujeitar-se voluntariamente não se limita ao Éden. Encontramos a repetição do mesmo ao longo da Bíblia, e em cada caso onde encontramos uma mulher a tomar a liderança vemos uma indicação da condição de fraqueza e fracasso do homem. 
 
     “… mulheres estão à testa do seu governo ah! povo meu! os que te guiam te enganam, e destroem o caminho das tuas veredas” (Isa. 3:12).
 
     Quando Sara tomou a liderança e Abraão cedeu, seguindo-a, o resultado foi o nascimento de Ismael – uma carga de problemas que duram até hoje (Gén. 16:1-16).
 
     Rebeca tomou a liderança no caso do seu filho Isaque e o resultado foi Jacó ser enganado e Esaú prejudicado (Gén. 27:6).
 
     Miriam pôs em causa a autoridade de Moisés (Núm. 12:2), querendo também ela liderar, e o resultado foi a ira do Senhor acender-se contra ela e contra quem se associou a ela – Aarão -, tendo ela ficado leprosa. (Núm. 12:3-13).
 
     Jezabel controlava claramente o fraco rei Acab (1 Reis 19:1-3), e todos sabemos a tragédia que isso implicou para Israel.
 
     Débora foi juiz em Israel num dos períodos mais fracos dos juízes. Isso é indicado pela frase “naquele tempo” (Juí. 4:4). “Naquele tempo” Israel estava sob o controlo do rei de Canaã e de Sísera, capitão do seu exército. Débora chamou Baraque para liderar na batalha, mas na sua fraqueza ele hesitou, e assim Deus deu soberanamente a vitória a uma mulher (4:9).
 
     Herodias levou Herodes a tirar a vida, contra a sua vontade, a João Batista (Mar. 6:17-24).
 
     Na carta do Senhor à Igreja em Tiatira, a primeira coisa que Ele tem contra ela é o facto de eles terem permitido que “Jezabel”, mulher que se dizia profetisa, ensinasse e enganasse os servos de Deus (Apo. 2:20).
 
     Não deveria ser surpresa para nós que Satanás tenha sempre introduzido na adoração uma mulher nas falsas religiões dos homens (1 Reis 11:33; Atos 19:27). Ele ainda continua a fazê-lo nos nossos dias. Fátima será o exemplo maior desse facto.
 
     O nosso Adversário está empenhado em provocar a confusão e o caos no Cristianismo. 
 
     Hoje há homens Cristãos que estão a ser confrontados com a mesma escolha. Obedecerão à Palavra de Deus, ou cederão aos desejos e caprichos das suas mulheres, ou de uma mulher? Tristemente, muitos deles, devido à sua afeição e estima pela mulher têm abdicado da sua autoridade, e têm optado por seguir a liderança feminina. Como resultado têm-se visto “obrigados” a ensinar e a promover coisas que não estão em harmonia com a Palavra de Deus! 
 
     Não costuma ser dito que “por detrás de um grande homem está uma grande mulher”? É verdade. Mas é igualmente verdade que por detrás de um homem fracassado está muitas vezes também uma mulher.
 
 
Opção de escolha urgente
 
     O nosso desejo de sermos aprovados por Deus deve ser maior do que o nosso desejo de sermos aprovados por qualquer outra individualidade, incluindo o nosso parceiro terreno mais chegado (Mat. 10:37-39; 25:21; 2 Tim. 2:15). O Senhor Jesus tinha grande afeição pelos seus familiares e amigos terrenos, mas Ele nunca permitiu que eles, ou algum deles, O levasse a desobedecer à vontade do Seu Pai (Mat. 16:23; Luc. 2:49; João 2:3,4; 19:25-27).
 
     O que vão fazer os homens quando se depararem com mulheres que queiram desorbitar da esfera que Deus lhes reservou? O que vão fazer com mulheres que queiarm abrir e dirigir cultos, dirigir a congregação em oração, dar pensamentos, pregar, ser ordenadas "pastoras", "bispas" e até "apóstolas", como temos estado a ver acontecer em muitos lados?
 
     A despeito de toda a instrução, inteligência, talento, conhecimento bíblico, e, sim, de amor e consagração ao Senhor, que algumas irmãs revelam, não podemos permitir que elas sejam insubmissas, desobedeçam, e tragam o desastre e ruína à igreja. 
 
     Todo o comportamento desviante o que está a acontecer à nossa volta é feito em nome do progresso, do aperfeiçoamento, da modernidade, etc., mas em última análise é, na realidade, um sinal de fraqueza. 
 
     Os irmãos devem assumir claramente a sua responsabilidade de liderança em amor, que Deus lhes concedeu. Os irmãos têm de deixar de estar comodamente assentados nas suas cadeiras, deixando essa responsabilidade para as mulheres. 
 
     A liderança da mulher na família e na família espiritual da igreja é uma clara indicação de fracasso do homem, como autoridade. Os homens têm de ser líderes em amor, nos seus lares e nas sua igrejas locais.
 
     Contudo tem havido também fracasso das mulheres na compreensão de que o papel que Deus lhes deu não é de liderança, mas de submissão voluntária e apoio. As mulheres devem encorajar os homens a assumirem a responsabilidade de liderança que Deus lhes deu, e não usurparem esse papel. Isso não é humilhante para as mulheres. É o plano de governo perfeito de Deus – a garantia da verdadeira harmonia e felicidade. 
 
     O que Deus valoriza grandemente nas mulheres não é a sua liderança, mas o seu “espírito manso e quieto” (1 Ped. 3:4; 1 Tim. 2:11).
 
     Damos graças a Deus pelas mulheres que têm agido de acordo com o plano de Deus, sendo um exemplo e motivo de encorajamento. São valiosíssimas no lar e na igreja (Prov. 31:10; 2 Tim. 1:5; Rom. 16:1,2).
 
     Que todos – homens e mulheres – vejam a excelência e perfeição do plano de Deus – o homem liderando em amor; a mulher sujeitando-se voluntariamente. Jaz aqui o segredo do verdadeiro progresso, da bênção, da paz e da verdadeira harmonia na igreja. É isto que a Bíblia ensina. Façamos-lhe jus.
 
- C.M.O.

 
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