O que é um etimologista?

Bruce Woolard

     Um etimologista é um artífice da palavra. Ou, apresentando mais claramente, é uma pessoa que estuda a origem das palavras e o seu uso. Tais estudiosos em linguagem têm melhorado a nossa compreensão de algumas palavras da Bíblia.

     Por exemplo, a nossa palavra em português espírito deriva da palavra latina spiritus, que significa "sopro". Encontramos a base desta palavra em várias palavras que frequentemente empregamos em conversação: inspirar, expirar, respirar e aspirar, para citar apenas alguns exemplos.

     As Escrituras Sagradas foram inspiradas (2 Timóteo 3:16), ou "Deus soprou-as". Em latim, é Deo spiritus; em grego, theopneustos. No relato da criação lemos que Deus soprou no primeiro homem o sopro da vida (Génesis 2: 7). Mas não é sem significado que a igreja do Mistério seja referida como o "novo homem" (Efésios 2:15), pois a sua vida também é a própria vida de Deus.

      Este novo homem é chamado de "Corpo de Cristo", uma frase que é usada pelo apóstolo para os Gentios (1 Coríntios 12:27). Como agente de Deus do Mistério, Paulo lembra aos seus ouvintes que os crentes são batizados pelo Espírito em Cristo (1 Coríntios 12:13). Como resultado, a pequena palavra "em" é usada mais de 200 vezes nas epístolas de Paulo em relação aos crentes que estão em Cristo. Por exemplo, em Cristo, somos uma nova criatura (2 Coríntios 5:17). Este batismo pelo Espírito identifica-nos com Cristo nosso Senhor.

     Como ex-pastor pentecostal, compreendo o mau uso e abuso da chamada "segunda experiência" do Espírito que é tão prevalecente nas igrejas de "fé" em todo o mundo. A grande maioria dos cristãos confessos nos "movimentos experienciais" é encorajada a receber uma experiência de salvação rotulada de "o batismo do Espírito" que é posterior ao nosso batismo pelo Espírito em Cristo.

     A minha odisseia espiritual no movimento pentecostal foi interrompida quando me tornei palestrante de seminário teológico ou professor de pneumatologia (Doutrina do Espírito Santo). A minha pesquisa revelou-me a natureza transitória do Livro dos Atos, em termos da esperança do Reino para Israel ter sido adiada e o despertar espiritual de Saulo de Tarso e a revelação do Mistério do Cristo ascendido que ele recebeu. Demorou muitos anos de luta enquanto lidei com a verdade das Escrituras e com a relevância das experiências pessoais que eu ignorantemente tinha acreditado serem atribuídas ao Espírito Santo. A aplicação dispensacional da interpretação e exegese da Bíblia que eu acabei por adotar desencadeou um zelo inextinguível de estudar a Palavra de Deus bem manejada.

     Eu descobri que a experiência humana subjetiva não era confiável porque é uma variável que não é consistente. Aprendi a confiar na verdade objetiva como uma constante. A abordagem objetiva da verdade bíblica defendida pelos que manejam bem a Palavra da verdade traz estabilidade aos crentes. A consistência silencia os críticos, e aqueles de nós que estamos nos campos missionários estrangeiros encontram muito conforto no ministério correto. O compromisso consistente e leal na correção da observação, interpretação e aplicação da Bíblia é muito refrigerante. Os seguintes pensamentos que empregam essa abordagem podem ser úteis aos crentes que entendem bem a natureza da dispensação da Graça e têm que colocar questões aos nossos amigos pentecostais sobre a nossa posição em termos do Espírito Santo.

     Há quatro verbos significativos que o Apóstolo Paulo usou em ligação à nossa relação com o Espírito Santo. Nós fomos (passado) batizados pelo Espírito no momento da nossa conversão. Nós também fomos habitados, selados e nascidos de novo pelo Espírito naquele momento (1 Coríntios 6:19, Efésios 1:13, Tito 3: 5). As ações expressas por esses quatro verbos aconteceram simultaneamente quando cremos. Não há experiência subsequente necessária para se obter mais do Espírito e tornarmo-nos mais espirituais.

     Quando oficio uma cerimónia de casamento e declaro que o casal se casou, a menina Ana Figueiredo torna-se na Sra. Antunes. Ela perde a sua identidade única e assume o nome de família do marido. No momento em que os pronuncio marido e mulher, o seu estado muda. Se ela possuía propriedade antes das núpcias, de acordo com as leis da África do Sul, onde sirvo, ela não pode vender a terra sem o consentimento do seu marido, uma vez que ela é casada.

     Existem quatro mudanças que ocorrem à Ana Figueiredo simultaneamente. O seu nome, estado, responsabilidade e destino mudam para sempre. Da mesma forma, essas quatro mudanças ocorrem simultaneamente no crente quando o Espírito Santo se instala na cidadela humana. A espiritualidade tem a ver com o reconhecimento da identidade em Cristo que o Espírito nos deu quando cremos, não em qualquer ação subsequente do Espírito. É a presença residente do Espírito de Deus dentro de nós que sela a nossa salvação, e nós recebemos todo o Espírito e tudo o que d’Ele precisamos, no momento em que cremos.

     De acordo com o dicionário grego de Vine, o termo "penhor da nossa herança " (Efésios 1:14) é arrabon e a palavra grega moderna arrabona é "anel de noivado". O anel de noivado é uma promessa de casamento. O Espírito Santo é-nos dado como como promessa da nossa herança eterna em Cristo. E não precisamos de ser etimologista para nos regozijarmos com este facto!

- Bruce Woolard

Sermões e Estudos

PeterCerqueira19NOV17a
Aliancismo I   -   Aliancismo II

Sermão proferido por Peter Cerqueira em 18 de novembro de 2017

Estudo Bíblico

Sobre a Epístola aos Colossenses 1:16,17, realizado em 15 de novembro de 2017

PeterCerqueira19NOV17a
Calvinismo

Sermão proferido por Peter Cerqueira em 19 de novembro de 2017

Estudo Bíblico

Sobre a Epístola aos Colossenses 1:16, realizado em 08 de novembro de 2017

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