O conhecimento do Mistério

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Efésios 3

     1 Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios;

     2  Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada; 

     3  Como me foi este mistério manifestado pela revelação, como antes um pouco vos escrevi;

     4  Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo,

     5  O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas;

     6  A saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho;

     7  Do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder.

     8  A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do Evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo,

     9  E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo;

     10  Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus,

     11  Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor.  

     Percorrendo as páginas da Bíblia - de Génesis a Apocalipse - encontramos facilmente nelas muitos “mistérios”, ou segredos sagrados; porém um sobressai proeminentemente como “o Mistério”: o grande corpo de verdade confiado por revelação divina ao apóstolo Paulo.  

     Antes do reino de Cristo ser introduzido na terra, Deus permite que o homem demonstre a sua própria falha moral e veja que o estabelecimento do reino, há muito prometido, não será resultado do seu próprio esforço ou carácter, mas da graça e do poder de Deus, porque o homem tem feito tudo ao seu alcance para impedir o estabelecimento do reino de Deus na terra.   

     Mas “onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rom. 5:20). Quando a nação de Israel rejeitou o seu Messias e respectivo reino, Deus pô-la de parte temporariamente, juntamente com os Gentios, “para com todos usar de misericórdia” e oferecer a todos os Seus inimigos reconciliação só pela graça, tomando por base a redenção efectuada por Cristo no Calvário. Assim, “a dispensação da graça de Deus” foi introduzida para que os que aceitam a graça de Deus em Cristo pudessem ser reconciliados com Ele. Este maravilhoso plano esteve mantido em segredo até o Senhor, na glória, o tornar conhecido, por revelação, ao apóstolo Paulo (Rom. 11:32,33; Efé. 3:1-3).  

     Mas o  mistério revelado por meio de Paulo refere-se a muito mais, além da salvação pela graça. Inclui o nosso baptismo Divino na morte, sepultura e ressurreição de Cristo e também no Seu Corpo. Inclui a nossa chamada, posição e esperança celestial e “todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais”. Inclui a restauração final, em Cristo, de todas as coisas nos céus e na terra. Nada disto foi tema da profecia. Pelo contrário, é tema do “mistério”, mais tarde revelado a Paulo e por seu intermédio.  

     Apesar de “o mistério” ter estado “escondido (ou, oculto) desde todos os séculos e em todas as gerações” (Col. 1:26), agora Deus tornou-o conhecido (Efé. 1:9) e é da Sua vontade que os Seus santos conheçam “as riquezas da glória” dele (Col. 1:27). Assim, nenhum crente deveria ignorá-lo.

     “Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos) ...” (Rom. 11:25).  

     Paulo foi divinamente nomeado para proclamar “as riquezas incompreensíveis de Cristo e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério” (Efé. 3:8,9). Ele declara que o seu Evangelho é “a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde os tempos eternos esteve oculto”, mas está, agora, a ser tornado conhecido “a todas as nações para a obediência da fé” (Rom. 16:25).  

     Assim, o apóstolo orava por uma “porta aberta” a fim de o tornar conhecido (Col. 4:3) e por uma “boca aberta” para o proclamar ousadamente (Efé. 6:19,20). Ele “ensinou”, “labutou” e suportou “grande combate” para que por esta verdade os corações dos crentes pudessem estar “unidos em amor” e para que pudessem gozar as riquezas “da plenitude da inteligência”, “para conhecimento do mistério” (Col. 1:28-2:2).  

     O conhecimento do mistério produz um efeito profundo sobre a vida do crente, dá-lhe um sentido do seu lugar na história, no mundo, na igreja e na vontade de Deus. Também o afecta, praticamente, tanto no reino físico e material, como no reino espiritual. Ajuda-o a compreender porque é que Deus permite que os Seus filhos sofram doenças, dor e tribulação. Ensina-o a regular as suas finanças. Mais do que tudo, afecta o seu estudo da Palavra, a sua vida de oração, a sua conduta, o seu testemunho.


O CONHECIMENTO DO MISTÉRIO
COMO ALARGA A NOSSA VISÃO

Efé 4:11-13 e Rom 16:25,26 

     “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,  

     “Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;  

     “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Efé. 4:11-13).

     “Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto,  

     “Mas que se manifestou agora, e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé” (Rom. 16:25,26).  


O MISTÉRIO E O CRESCIMENTO ESPIRITUAL  

     No mistério revelado pelo nosso Senhor, já na glória, por intermédio de Paulo há algo que alarga, amadurece e produz verdadeira grandeza espiritual, se tão-somente for tomado a peito.  

     O apóstolo Paulo considerou ser um grande privilégio, e como tal regozijava-se, participar da rejeição de Cristo por amor do Seu Corpo para que por meio do seu ministério os crentes, que eram membros do Seu Corpo, pudessem apreciar cada vez mais “as riquezas da glória deste mistério” e para que assim ele pudesse apresentar individualmente cada um, espiritualmente maduro – completos em Cristo.  

     Na verdade, diz o apóstolo, Deus deu apóstolos, profetas , evangelistas, e pastores e doutores para pregarem esta mensagem gloriosa, para que colectivamente os santos pudessem crescer até à maturidade espiritual; para que o Corpo, como um todo, pudesse ser estabelecido e edificado na fé, até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo. Assim, é importante, não só por amor de nós, individualmente, mas também por amor de todos os membros do Corpo de Cristo, “para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina”, mas para que “cresçamos em tudo n’Aquele que é a Cabeça, Cristo” (Efé. 4:14,15).  

     O que há, então, sobre a verdade do mistério, que tende a desenvolver e a encher espiritualmente o crente? O que há sobre a verdade do mistério que tende a alargar a visão espiritual do crente? Tudo, pois é o segredo do Evangelho e o eterno propósito de Deus.  


DÁ-NOS UM SENTIDO DO NOSSO LUGAR NA HISTÓRIA
  

     O conhecimento do mistério revelado por meio de Paulo dá ao crente um panorama e perspectiva históricos e um sentido do seu lugar na história, pois toda a história gira em torno do mistério com a sua “pregação da cruz”. A maneira de Deus tratar com os homens dos séculos passados conduz a esta verdade; os homens das gerações futuras observá-la-ão retrospectivamente.  

     Na sua proclamação do mistério o apóstolo mostra como tudo o que a morte de Cristo realizou só podia ser “manifestado ou servir de testemunho em tempo devido” e que ele (Paulo) tinha sido levantado para este propósito (1 Tim. 2:6,7); que não foi antes que “a justiça de Deus sem a lei” podia ser “manifestada” (Rom. 3:21) e que “a Sua justiça (a justiça de Cristo)” podia ser “declarada ... para a remissão de pecados” (Rom. 3:25); como “o  mistério” tinha estado “oculto desde todos os séculos e em todas as gerações” até que lhe foi revelado a ele (Paulo) e por seu intermédio (Col. 1:25,26; Efé. 3:1-3); como Deus está agora a reconciliar Judeus e Gentios a Si mesmo num Corpo pela cruz (Efé. 2:16) e formando assim “dos dois um novo homem” em Cristo (Efé. 2:15).  

     Projectando a luz da forma de Deus tratar com os homens no passado sobre o presente, o apóstolo escreve:  

     “... POR UM HOMEM ENTROU O PECADO NO MUNDO, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.

     "VEIO, PORÉM, A LEI PARA QUE A OFENSA ABUNDASSE; MAS, ONDE O PECADO ABUNDOU, SUPERABUNDOU A GRAÇA;

     "PARA QUE, ASSIM COMO O PECADO REINOU NA MORTE, TAMBÉM A GRAÇA REINASSE PELA JUSTIÇA PARA A VIDA ETERNA, POR JESUS CRISTO NOSSO SENHOR” (Rom. 5:12,20,21).
  

     Assim, somos levados de Adão, passando por Moisés, até ao Cristo ascendido, que agora dispensa graça a um mundo de pecadores “por meio da justiça”, isto é, na base da obra consumada da redenção.  

     É por isso que Paulo diz que “antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para” – o único caminho de escape: “a fé que se havia de manifestar (ou, revelar, segundo outra versão)” (Gál, 3:23).  

     “De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fossemos justificados.

     "Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio” (Gál. 3:24,25).  

     Nem Israel nem as nações do futuro serão salvas antes de aprenderem a lição que Deus está a ensinar hoje. De Israel lemos:  

     “Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não chegou à lei da justiça.

     "Por quê? Porque não foi pela fé, mas como que pelas obras da lei; tropeçaram na pedra de tropeço” (Rom. 9:31,32).  

     Enquanto os Israelitas continuarem “procurando estabelecer a sua própria justiça”, não serão “salvos” (Rom. 10:1-4).  Mas um dia chegarão a uma situação desesperada. E então “de Sião virá o Libertador e desviará de Jacob as impiedades” e removerá “os seus pecados” (Rom. 11:26,27) - de modo tal que guardarão a Sua lei, não para estabelecerem a sua própria justiça, mas porque O amam (Jer. 31:31-34).  

     Algumas vezes é dito que depois da presente dispensação ter passado Deus volver-se-á para Israel, como se esta dispensação nunca tivesse tomado lugar. Isto não é exactamente assim, pois esta presente dispensação, como as passadas, deixará ensinada historicamente a sua lição divina. Assim como a proclamação do reino por João Baptista, Cristo e os doze, formou o pano de fundo para a proclamação do mistério por meio de Paulo, assim também a proclamação do mistério formará o pano de fundo para a futura proclamação do reino pelo remanescente crente de Israel. As epístolas Paulinas estarão incluídas na Bíblia desses dias. As suas grandes lições terão sido ensinadas (se não mesmo, aprendidas) e a mensagem do reino será proclamada à sua luz.  

     Tanto para Israel! Escrevendo a nós, Gentios, o apóstolo insta connosco para nos “lembrarmos” que “noutro tempo” éramos chamados “chamados incircuncisão”, estávamos “sem Cristo ... separados da comunidade de Israel, e estranhos aos concertos das promessas, não tendo esperança e não tendo Deus no mundo" (Efé. 2:11,12).  

     “MAS AGORA”, acrescenta ele, “ em Cristo Jesus , vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto” (Efé. 2:13). “Assim que JÁ não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus” (Efé. 2:19).  

     Quanto ao passado, a verdade do mistério, leva-nos atrás, para além do nosso passado Gentílico, mesmo para além de Adão; quanto ao futuro, leva-nos adiante, para além da nossa reunião com Cristo ou o nosso reinado com Ele. Quanto ao passado, a verdade do mistério leva-nos para “antes da fundação do mundo”; quanto ao futuro, leva-nos aos “séculos vindouros”:  

     “Como também nos elegeu nele ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO, para que fossemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Efé 1:4).  

     “Para mostrar nos SÉCULOS VINDOUROS as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para connosco em Cristo Jesus ! (Efé 2:7).


DÁ-NOS UM SENTIDO DO NOSSO LUGAR NO MUNDO  

     Mas, uma apreciação do mistério não nos dá só um panorama e perspectiva históricos; dá-nos também um panorama do mundo, e um sentido do nosso lugar no mundo.  

     É notável o facto dos primeiros dois mil anos da história da humanidade estarem inseridos nos primeiros onze capítulos de Génesis. Do capítulo 12 em diante a revelação de Deus trata com Abraão e a sua semente, a nação de Israel, até esta ser posta de parte e Paulo ser levantado para proclamar graça aos Gentios.  

     Toda a história e profecia do Velho Testamento centram-se em Israel. Nem há mesmo qualquer mudança nisto, quando nos dirigimos para os chamados 4 Evangelhos. Precisamente ali, encontramos o Senhor a comissionar os Seus apóstolos:  

     “Não ireis pelo caminho dos Gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos;

     "Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel;

     "E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus” (Mat. 10:5-7).
  

     A uma Gentia que veio pedir ajuda, o Senhor disse asperamente:  

     “E Ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me!  Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos” (Mat. 15:24-26).  

     A uma Samaritana disse quase com aspereza:  

     “Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus” (João 4:22). 

     Na verdade, do mesmo modo, na comissão dada pelo Senhor aos Seus onze apóstolos, a seguir à ressurreição, Ele ainda os instruiu para começarem o seu ministério com Israel, em Jerusalém (Luc. 24:47; Act. 1:8), pois segundo o concerto e a profecia, segundo o programa do reino que Ele tinha proclamado, as nações encontrariam salvação e bênção por meio da nação de Israel remida. Mas quando Israel rejeitou a mensagem Pentecostal com a sua oferta do estabelecimento do reino terreno, o cumprimento subsequente da “grande comissão” tornou-se temporariamente impossível e aqueles a quem ela tinha sido confiada concordaram em limitar de novo o seu ministério a Israel.  

     “Antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão (porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios), e conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fossemos aos gentios, e eles à circuncisão” (Gál. 2:7-9).  

     Mas sob a administração Paulina tudo é diferente. O seu “Evangelho da graça de Deus” não é enviado exclusivamente, nem mesmo primariamente, a qualquer grupo, nação ou raça. Todos os homens, incluindo a semente natural de Abraão, estão colocados no mesmo plano como filhos de Adão decaídos e são-lhes oferecidas as riquezas da graça de Deus por meio da fé no sangue derramado de Cristo.  

     “Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que O invocam.

     "Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” (Rom. 10:12,13).  

     “Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia.

     "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os Seus juízos, e quão inescrutáveis os Seus caminhos!” (Rom. 11:32,33).  

     Que desafio! Ninguém é melhor que os outros. Vemo-nos agora simplesmente como seres humanos com uma mensagem para todos os seres humanos ao nosso redor; como filhos de Adão decaídos, salvos pela graça e empossados com uma nova mensagem de graça, sem distinção, para todos os outros filhos de Adão – uma mensagem para todo o mundo!  

     Não admira, pois, vermos o que o apóstolo clama em 2 Cor. 5:14-16:  

     “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se Um morreu por todos, logo todos morreram. 

     "E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou.

     "Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não O conhecemos deste modo”.
  



DÁ-NOS UM SENTIDO DO NOSSO LUGAR NA IGREJA
  

     O propósito de Deus ao declarar a nação de Israel incrédula juntamente com as outras nações, não era só para que Ele pudesse ter misericórdia de todos como indivíduos, mas para que, ao agir assim, Ele pudesse formar um novo grupo de crentes através dos quais Ele pudesse mostrar as excelentes riquezas da Sua graça.  

     “... para criar em Si mesmo dos dois UM NOVO HOMEM, fazendo a paz,

     "E pela cruz reconciliar ambos com Deus em UM CORPO , matando com ela as inimizades” (Efé. 2:15,16).  

     Quando tomamos isto a peito, a visão que temos da Igreja é necessariamente alargada. Nós não falamos mais em termos de nossa igreja, ou nossa Igreja (isto é, nossa denominação), mas de A Igreja, o Corpo de Cristo.  

     “Pois todos nós fomos baptizados em um Espírito , formando UM CORPO, quer Judeus, quer Gregos”. (1 Cor. 12:13).  

     “Assim nós, que somos muitos, somos UM SÓ CORPO em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” (Rom. 12:5).
  

     E assim, isto aproxima-nos mais dos verdadeiros crentes de qualquer denominação, porque enquanto lamentamos os seus desacordos denominacionais e divisões, reconhecemo-los como membros de"a Igreja, que é o Seu Corpo." É por isso que não podemos “deixá-los sós” e considerarmo-nos separados deles, mas procuramos sempre desviá-los da sua “comunhão” mútua e exclusiva para a alegria e comunhão da nossa unidade em Cristo.  


DÁ-NOS UM SENTIDO DO NOSSO LUGAR NA VONTADE DE DEUS
  

     Mas a apreciação do mistério não nos dá somente um sentido do nosso lugar na história, no mundo e na Igreja; dá-nos também um sentido do nosso lugar na vontade de Deus, alargando e equilibrando a nossa experiência.  

Guiado pelo Espírito, Paulo escreveu aos Colossenses:  

     “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos [isto é, as novas da vossa salvação], não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da Sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual” (Col. 1:9).  

     É triste dizer que a vasta maioria de crentes, ao lerem este versículo, só pensam em termos da vontade de Deus para as suas vidas nas suas situações particulares. Um jovem crente pergunta: “Qual é a vontade de Deus para a minha vida? Devo entrar para o ministério ou tornar-me num missionário? Se for da vontade de Deus tornar-me num missionário, devo ir para a China, África ou Índia? Ou Deus quer que permaneça na vida secular e ajude financeiramente a Sua obra?” Porém, enquanto o jovem está tão interessado com a vontade de Deus para a sua vida, está lamentavelmente num estado de ignorância a respeito da vontade de Deus, ou seja, quanto àquilo que Ele quer que seja feito. A ênfase incide sobre ele, em vez de incidir sobre Deus. A causa de Cristo tem sofrido muito prejuízo devido à tal ênfase mal colocada.  

     Colossenses 1:9 não se refere à vontade de Deus numa dada situação, mas ao propósito e programa de Deus como se encontram revelados nas Epístolas Paulinas. Ele responsabiliza-nos exactamente pela compreensão do significado do seguinte:  

     “Descobrindo-nos O MISTÉRIO DA SUA VONTADE, segundo o seu beneplácito, que propusera em Si mesmo” (Efé. 1:9).  

     “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios,

     "Remindo o tempo; porquanto os dias são maus1.

     "POR ISSO NÃO SEJAIS INSENSATOS, MAS ENTENDEI QUAL SEJA A VONTADE DO SENHOR” (Efé. 5:15-17).  

     A maioria do povo de Deus parece pensar que a Sua vontade se devia acomodar às suas experiências vacilantes. Quando se encontram nas profundezas do desespero e não sabem para onde se voltar, clamam ao Senhor para que lhes mostre a Sua vontade. Quando se encontram nos “píncaros”, talvez entre duas alternativas, clamam a Deus para que lhes revele novamente a Sua vontade, assim:  

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     Mas no entretanto negligenciam investigar qual o Seu objectivo, ou aprender como se podem conformar com o Seu plano e propósito. Este plano está claramente definido nas Epístolas de Paulo. Este propósito corre direito como uma seta, devendo-nos conformar a ele, assim:  

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     É verdade que Deus quer que olhemos para Ele com o fim de nos guiar em todos os detalhes das nossas vidas, mas coloquemos a ênfase onde deve ser colocada. Se uma pessoa ignora a vontade e o propósito de Deus, que necessidade tem ela de inquirir se deve entrar para o ministério ou ir para a África ou a China?  Ela causará tanto mal quanto bem, onde quer que vá. Por outro lado, quem quer que seja que tenha uma compreensão inteligente da vontade de Deus e tenha sido dominado por ela, não correrá o perigo de permanecer inactivo no serviço do Senhor.  

     Combatamos fervorosamente, em oração, como Epafras fez pelos crentes em Colossos, para que nos possamos conservar “firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus” (Col. 4:12).  

     Naturalmente, isto também afecta a nossa vontade, e a nossa maneira de orar. Uma vez mais, aqui, um conhecimento do mistério aumenta a nossa visão e firma-nos, à medida que a Sua vontade toma o lugar da nossa.  

     Não confundiremos mais “este presente século mau” com o reino que nosso Senhor proclamou e em relação ao qual disse: “E tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis” (Mat. 21.22). Sob as circunstâncias presentes será bom lembrarmo-nos que não receberemos tudo aquilo que pedimos, mesmo com fé, pois lemos em Rom. 8:26 que “não sabemos o que havemos de pedir, como convém”. Contudo, a mesma passagem continua a dizer-nos o que sabemos:  

     “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rom. 8:28).  

     Quando nós exercemos profunda e absoluta fé em Deus, não insistimos com Ele para que nos conceda os nossos desejos, mas colocamo-nos sem reservas ao Seu cuidado, completamente certos de que Ele operará tudo para nosso bem. Assim, o apóstolo exorta-nos:  

     “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com acção de graças”  (Fil. 4:6).  

     “E ...” (v. 7). E o quê? “E recebereis o que pedirdes?” Não. Não estejais inquietos por coisa alguma, antes, em tudo, quaisquer que sejam as circunstâncias, as vossas petições sejam conhecidas diante de Deus, com acções de graças.  

     “E A PAZ DE DEUS, QUE EXCEDE TODO O ENTENDIMENTO, GUARDARÁ OS VOSSOS CORAÇÕES E OS VOSSOS SENTIMENTOS EM CRISTO JESUS ” (Fil 4:7).  

     Pode ser necessário, para nosso próprio bem, que Ele recuse o que pedimos, mas sustidos pelo sentido do Seu amor e graça não ficaremos desanimados ou desalentados, pois ao Lhe termos dado a conhecer a nossa petição, e ao a termos deixado com Ele, a Sua paz – a paz que excede toda a compreensão humana – guardará, ou guarnecerá, os nossos corações e sentimentos em (por meio de) Cristo Jesus.  

     Por conseguinte, há algo mais abençoado que a mera obtenção do que pedimos em oração. Paulo diz, de novo, em Efésios 3:20,21:  

     “ORA, ÀQUELE QUE É PODEROSO PARA FAZER TUDO MUITO MAIS ABUNDANTEMENTE ALÉM DAQUILO QUE PEDIMOS OU PENSAMOS, SEGUNDO O PODER QUE EM NÓS OPERA ,

     "A ESSE GLÓRIA NA IGREJA, POR JESUS CRISTO, EM TODAS AS GERAÇÕES , PARA TODO O SEMPRE. AMÉM”. 

- C.R.Stam

 


1 Isto é, o dia da graça pode terminar a qualquer momento (Ver 2 Cor. 6:1,2).

Sermões e Estudos

CMO 10DEZ17
Alerta Pungente Duplo

Sermão proferido por Carlos M. Oliveira em 10 de dezembro de 2017

Simao Santos 01DEZ17a
Origem bíblica do dispensacionalismo

Sermão proferido por Simão Santos em 01 de dezembro de 2017

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Depoimento e Súmula

Testemunho de José Teles em 02 de dezembro de 2017

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Perguntas e Respostas

Conferência Bíblica Dispensacionalista realizada 01-03 de dezembro de 2017

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