SER OU NÃO SER BATIZADO - uma mensagem simples sobre o batismo

JCOHAIR1


     A avaliar pela atual controvérsia sobre o batismo na água, parece que não é possível escrever uma mensagem simples sobre o assunto. Com toda a certeza que se exige mais do que um estudo superficial das Escrituras para se adquirir uma forte convicção sobre a matéria, com base numa compreensão inteligente dos diferentes versículos da Bíblia relativos ao assunto, em vez de um amargo conceito formado antecipadamente sem fundamento sério ou imparcial resultante de uma má compreensão de todos esses textos bíblicos. Para a maioria dos cristãos, o batismo na água é um costume e não um ato inteligente de obediência dado aos membros do Corpo de Cristo.

     Entre os mais espirituais do povo de Deus, incluindo os pregadores e ensinadores mais competentes e proveitosos, há muita diferença de opinião quanto ao que a Bíblia ensina sobre o batismo na água. Mas quantos deles, ou melhor, quão poucos deles, abriram o Livro com mentes despreconcebidas e corações sem receio de procurar com diligência e honestidade a verdade, dispostos a aceitar e propagar o que descobrirem, mesmo que seja contrário a todas as tradições dos pais da igreja e dos credos da mesma! Não é ser cobarde, nem traidor, nem comprometedor, proclamar uma mensagem que não está de acordo com os credos da cristandade.

     Mas pode o pesquisador honesto da Palavra de Deus responder à pergunta, se "deve ser, ou não, batizado?" Se decidir que deve ser, será que pode dizer: "Eu decidi ser, por causa de um determinado capítulo ou versículo no Livro que dá instruções aos membros do Corpo de Cristo?" Com toda a certeza que não.

      Hoje estão vivas miríades de pessoas que foram batizadas na água. Na sua grande maioria, tratou-se de um caso de batismo involuntário. Das que foram batizadas na sua infância e atingiram a idade que lhes permitiu tomar uma decisão, mais de cinquenta por cento delas aprovaram o motivo, a crença religiosa e o ato dos pais, tutores, sacerdotes ou pregadores responsáveis pela cerimónia religiosa ou ordenança da igreja, embora não concordando de modo algum quanto aos benefícios espirituais que dela derivam. Certamente que nenhum deles se tratou de um caso da resposta de uma boa consciência para com Deus. I Pedro 3:21. A resposta foi por procuração ou representante.

     O modo, a fórmula e o significado do batismo infantil varia com os diferentes credos e programas das igrejas. Em alguns casos, a criança é imersa para estar em conformidade com o exemplo de I Coríntios 10:1 a 13. Em alguns casos, o modo é derramamento. Na maioria dos casos, o batismo infantil é por aspersão. Com os católicos romanos, a cerimónia do sacerdote é com a água que foi benzida e é uma cerimónia de água para o pecado original ser removido. Com outras denominações, a aspersão é o selo da Nova Aliança, substituindo a circuncisão que era o selo da Antiga Aliança. Nestes casos, é necessário que os pais do bebé sejam cristãos professos. Em outras denominações, a aspersão é a maneira através da qual os pais dedicam a criança ao Senhor. Muitos ensinam que, então e ali, a criança apresentada pelos pais crentes, pelo ato do batismo, torna-se cristã e membro da Igreja de Cristo. Ouvi dizer que um pregador de uma das principais denominações protestantes diz: "a maioria da nossa gente torna-se cristã por acidente, ao ser apresentada pelo batismo na infância".

     Muitos têm argumentado dizendo que a palavra grega "baptizo" significa "mergulhar, tornar imerso", mas isso não pode ser comprovado pelas Sagradas Escrituras. A palavra, em forma de substantivo, é usada em Hebreus 9:10, sendo traduzida por "abluções, ou lavagens". As lavagens cerimoniais de Israel eram aspersões, derramamentos, como também imersões.

     De quatro textos das Escrituras, os imersionistas argumentam que o batismo bíblico deve ter sido por imersão. Marcos 1:9 e 10. João 3:23, Atos 8:38 e 39, Romanos 6:4. Em defesa, ou apoio, do batismo infantil, são usadas as seguintes Escrituras relativas ao batismo das famílias (ou, “casa”): Atos 11:14 e 10:18; Atos 16:15; Atos 16:31 a 33; I Coríntios 1:16; I Coríntios 7:14; I Coríntios 10:2 e 11.

     Os que refutam o ensino e a prática do batismo da família, incluindo bebés, citam Marcos 16:16, "Quem crer e for batizado será salvo …". Atos 8:12, "Mas como cressem … se batizavam, tanto homens como mulheres". Atos 18:8, "… e muitos dos coríntios, ouvindo-o creram e foram batizados".

     Uma das principais autoridades sobre o tema do batismo, embora ensine o batismo infantil por aspersão, reconhece na sua mensagem impressa sobre o assunto, que não pode provar esta doutrina por nenhuma declaração clara na Bíblia. A sua alegação é que a prática é ministrada por implicação ou inferência.

     Outros que ensinam o batismo na água para os crentes no Corpo de Cristo com qualquer outro significado não precisam de ridicularizar esta doutrina teológica da "implicação" ou "inferência", pois empregam exatamente o mesmo método, independentemente da sua interpretação quanto à fórmula, modo e significado da sua cerimónia de água. É tudo por implicação ou inferência. Ao analisarmos as diferentes interpretações dos cristãos evangélicos que ensinam e praticam o batismo na água, temos de concluir que, se uma delas é a interpretação bíblica correta, algumas das outras são teorias não bíblicas. Se a sepultura aquosa é bíblica, o selo de aspersão é absurdo.

     Porém lembre-se que centenas de milhares de verdadeiros cristãos têm crido em cada uma e em todas as seguintes interpretações:

  1. O selo da Nova Aliança, como a circuncisão, ser da Antiga Aliança.
  2. A regeneração batismal, ou o arrependimento para a remissão de pecados a fim de se receber o Espírito Santo.
  3. Um símbolo exterior de uma obra de graça interior.
  4. Um testemunho ao mundo da salvação do crente.
  5. Uma porta de entrada para a Igreja.
  6. Uma sepultura aquosa para se reconhecer a identificação com Cristo na morte, sepultura e ressurreição.

     Cinco das seis interpretações têm de ser apoiadas por implicação ou inferência e pelos credos e práticas de certas denominações que foram organizadas séculos após a morte dos apóstolos de Cristo. Não há um único versículo que prove que o batismo fosse recebido pelo crente como um testemunho ao mundo de que ele se tornara membro do Corpo de Cristo.

     A interpretação do batismo na água de arrependimento, para o perdão de pecados, é apoiada por Mateus 3:11; Marcos 1:8; Lucas 3:3; Marcos 16:16; Atos 2:38; Atos 8:12 a 16; Atos 19:3 a 7. Este batismo começou com o ministério de João Batista: Ouça as suas próprias palavras em João 1:31:

      “E EU NÃO O CONHECIA; MAS, PARA QUE ELE FOSSE MANIFESTADO A ISRAEL, VIM EU, POR ISSO, BATIZANDO COM ÁGUA.”

     Havia um batismo para o povo de Deus quando Cristo estava na Terra. O batismo de Cristo na morte ocorreu na cruz. Lucas 12:47 a 52. Após o fim do Livro de Atos, a declaração em Efésios 4:5 é: "um só batismo". O batismo não era algo novo para Israel. Hebreus 9:10. Porém o batismo confiado a João tinha um significado especial. Houve três batismos no período dos "Atos", - "batismo na água", "batismo do Espírito Santo" e "batismo na morte". Atos 1: 5; Atos 11:14 e 15; I Coríntios 12:13; Gálatas 3:27; Atos 19:2 a 7 e Romanos 8:3.

     Quando os doze apóstolos foram batizados, muitos meses antes do batismo de Cristo na morte, antes da Sua ressurreição, os Doze não conheciam o que a ressurreição dos mortos significava e não sabiam nada sobre o batismo da morte de Cristo. Mateus 16:21 a 23; Marcos 9:10; Lucas 9:44 e 45; Lucas 18:31 a 34; João 20:9. Portanto, observamos que os Doze certamente não foram batizados com água como uma indicação ou reconhecimento de que eles haviam sido sepultados com Cristo pelo batismo. E certamente que não indica que eles se tenham juntado à Igreja, que é o Seu Corpo. Essa Igreja ainda não existia quando eles foram batizados. Os Doze nunca receberam um segundo batismo na água após o batismo da morte de Cristo. O batismo na água é chamado por nomes diferentes "uma ordenança do reino", "uma ordenança da igreja", "batismo do Novo Testamento", "batismo do reino", "batismo cristão". Porém, todos esses nomes foram sugeridos pelos homens; não são encontrados na Bíblia.

     Todos os estudiosos da Palavra de Deus concordam que o batismo de I Coríntios 12:13 não é batismo na água.

     I Coríntios 12:13:

     “POIS TODOS NÓS FOMOS BATIZADOS EM UM ESPÍRITO FORMANDO UM CORPO, QUER JUDEUS, QUER GREGOS, QUER SERVOS, QUER LIVRES, E TODOS TEMOS BEBIDO DE UM ESPÍRITO.”

     "Batizados em UM ESPÍRITO formando UM CORPO". Em Efésios 4:4 a 6, há a menção de um só Corpo, um só Espírito, um só Batismo. Os judeus e os gregos não foram batizados em UM ESPÍRITO formando UM CORPO quando João Batista batizava com água para que Cristo fosse manifestado a Israel; na altura os Doze foram batizados com água. Uma coisa é Israel ter o batismo na água para que o seu Messias lhes fosse manifestado: outra coisa bem diferente é os israelitas e os gentios se unirem em um único corpo pelo batismo do Espírito Santo. O batismo na água de João estava relacionado com a proclamação do reino de Cristo a Israel. Portanto, há autoridade bíblica para a expressão "batismo do reino". Mas a expressão "batismo cristão" é uma expressão indefinida e inexata; uma expressão oriunda da pena dos teólogos, mas que não é encontrada na Bíblia. Alguns diferenciam entre o batismo na água do reino quando Cristo estava na Terra do que eles denominam de batismo na água cristão depois de o Espírito Santo ter vindo do Céu. Contudo os tais não podem provar biblicamente que os dois batismos na água são diferentes na experiência dos Doze. De acordo com essa distinção, os Doze nunca receberam o batismo cristão; mas apenas o batismo do reino de Israel.

     Se o batismo de João é batismo da Nova Aliança, e se a lei da primeira menção é válida, qual o significado do batismo na água até à última ocorrência do batismo na água em Atos 19:2 a 7? Não devemos provar o significado pela exceção à ordem dada em Atos 10:34 a 48, na experiência de Cornélio e da sua casa; lembrando que Cornélio era o primeiro gentio a entrar com os judeus que requeriam sinais.

     Não há autoridade bíblica para a dupla designação do batismo na água - "Batismo do reino" e "batismo cristão". Isso é teoria e tradição.

     Nem um cristão tem autoridade bíblica para mudar a ordem de Marcos 16:16, "quem crer e for batizado será salvo", para "quem crer e for salvo deve ser batizado". Se nos quisermos agarrar à água com base na autoridade deste testo bíblico, observemos a ordem. Se o fizermos, como podemos reconciliar este Evangelho com o Evangelho de Romanos 3:24 e Efésios 2:8 e 9? O batismo na água não tem lugar na mensagem da pura graça, como tinha em Marcos 16:16. Cristo não enviou Paulo a batizar. I Coríntios 1:17.

     Isso conduz-nos a esta importante declaração. Nenhum texto das Escrituras instrui um membro do Corpo de Efésios a batizar com água outro crente que já é membro desse Corpo. O “um só batismo” de Efésios 4: 5, como o batismo único de Romanos 6:3, produz uma mudança espiritual no pecador. Por esse batismo único, o pecador crente é identificado com Cristo na Sua morte, sepultura e ressurreição. Como resultado desse batismo único, o crente é assentado nos lugares celestiais em Cristo e abençoado com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais. Ele é para sempre um membro do Corpo de Cristo. O batismo na água hoje não produz nenhuma mudança espiritual em nenhum pecador ou santo: o batismo na água não ajuda a salvar nenhum pecador nem o ajuda a manter-se salvo. Todos os pregadores admitem que o batismo na água não tem absolutamente qualquer eficácia para ajudar, ou acrescentar, à perfeição do crente em Cristo ou à adesão ao Seu Corpo. Colossenses 2:10. O batismo na água não é exigido por Deus para se ser membro da Igreja verdadeira, que é o Corpo de Cristo. O batismo na água não é necessário para salvação ou regeneração. O batismo na água não é exigido como condição para se receber o Espírito Santo. Por conseguinte, o batismo de água, de acordo com Efésios, e de acordo com o reconhecimento dos pregadores que compreendem a presente graça da atual dispensação da graça, não tem o significado que teve em Atos 2:38 e Atos 19: 3 a 7 ou em Atos 8:12 a 17.

     Qual é o seu significado? Pode dar uma resposta bíblica e não uma teoria humana? O que os homens têm estado a ensinar e a pregar nunca satisfará a mente investigadora do verdadeiro Bereano. Não siga credos estabelecidos nem a tradição dos anciãos. Os costumes da igreja e a verdade bíblica podem ser diferentes. Depois de ter orado fervorosamente e investigado diligentemente as Escrituras, e ter desse modo sido convencido  sobre qual da mais de uma dúzia de interpretações, modos e significados praticados pelos cristãos ortodoxos é exigido aos membros do Corpo de Cristo, obedeça ao requerido e depois procure o homem que é qualificado para batizar.

     Porém, lembre-se de estudar diligentemente a Palavra de Deus antes de responder a Deus, "se deve, ou não, ser batizado". Quando pergunta aos homens, por mais espirituais que sejam, eles não conseguem apresentar-lhe uma passagem das Escrituras exata, clara, para provar que o batismo na água é compatível com o Evangelho da graça de Deus. Se eles citam a chamada Grande Comissão de Mateus 28:19 e 20 e Marcos 16:14 a 18, eles têm de admitir que as instruções foram dadas aos apóstolos, e que estes ainda não estavam no Corpo de Cristo, apóstolos que julgarão sobre doze tronos as doze tribos de Israel. (Mateus 19:28). Esses apóstolos eram ministros para a circuncisão com o evangelho da circuncisão. Gálatas 2:7 a 9. Eles foram comissionados antes de o Corpo de Cristo ter, historicamente, começado. Eles foram batizados muitos meses antes do corpo ter começado historicamente. Então os Doze não foram batizados na água como membros da Igreja de Efésios 1:19 a 22. O apóstolo dos gentios declarou claramente: "Cristo enviou-me, não para batizar". I Coríntios 1:17. Como membros do Corpo de Cristo de que textos das Escrituras devemos obter as nossas instruções sobre o batismo na água e o Evangelho da graça de Deus? Não há uma única palavra instruindo os membros do Corpo de Cristo para serem batizados.

     A grande maioria dos cristãos pratica o que os seus líderes humanos lhes ensinaram; o que os credos da igreja exigem deles e parecem pensar que estão na vontade de Deus porque agem em conformidade com a exigência denominacional em vez de obedecerem às Escrituras bem manejadas ou bem divididas.

     Se um homem ou um grupo de homens exige uma cerimónia religiosa como uma porta de entrada para qualquer das suas igrejas e o Senhor não requer essa cerimónia para que alguém se torne membro da Sua Igreja, qual é o seu dever? Algo pode acontecer com a adesão à sua igreja aqui em baixo, se obedecer à Cabeça da igreja nos lugares celestiais.

     Seja um Bereano (Cf. Atos 17:10,11). Peça um capítulo e versículo. Não faça algo porque tem sido há muito um costume religioso.

-  J. C. O'Hair

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